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Lembra disso? O Julgamento do Flash (Pré-Crise)

Era uma vez, um velocista escarlate que estava numa péssima fase.

Lembra quando o Flash foi julgado? Não? Leia e relembre.

Bem-vindos à coluna “Lembra disso”?

Nossa proposta é trazer séries que o tempo meio que apagou da sua memória. Só que dessa vez, vamos fazer algo diferente. Aproveitando que o No século passado dessa semana apresentou a morte do Flash, decidimos apresentar o Julgamento do Flash pré-Crise.

Lembra disso? É possível que não, a menos que tenha uma certa idade e consuma quadrinhos importados. Sim, a Editora Abril só publicou histórias do Flash pós-crise, ignorando completamente essa fase que não é necessariamente boa.

Clive Yorkin mata Íris

Íris morre.

A história, na verdade, começa em Flash 275. Escrita por Cary Bates, que começou anos antes e foi até o fim da série e ilustrada por Alex Saviuk, A história The Last Dance apresenta a morte de Íris West, esposa do Barry Allen. Até então, todos imaginavam que seu assassino havia sido Clive Yorkin, ex cobaia de um experimento que Barry participou.

Como ele queria vingança e a edição deixou claro que a esposa do homem mais rápido do mundo não havia sobrevivido ao encontro…

Barry passou pelos cinco estágios da dor e seguiu a vida. O ponto é que alguns números depois, o Flash Reverso aparece e o número 283, descobrimos que a morte de Íris foi parte de uma vingança do vilão contra seu arqui-inimigo.

Barry vira fora da lei.

A partir dai, Cary Bates vai remexendo aos poucos a vida do velocista escarlate. Uma das introduções foi Fiona Webb, o novo interesse amoroso do heroico viuvão. Os dois se entederam e chegaram às vias do fato quando o Flash Reverso voltou para matar mais uma esposa de seu inimigo.

O problema dessa série, é que ela acompanhou o auge dos X-Men e o  texto de Bates e as artes de Don Heck e de Carmine Infantino, que assumiu a partir do 297 não agradavam a esses leitores mais exigentes. Na verdade, salvo exceções como Novos Titãs e Monstro do Pântano, a própria DC já não agravava tanto assim e uma saga cujos elementos foram plantados até o 300 e se alongaram até o 350, que foi a última edição do título.

Na edição 323 o Flash mata o Reverso por acidente e acaba virando um criminoso procurado. Como todos viram o ocorrido, ela vira o alvo tanto da ira dos  heróis quanto da dos vilões. Com a proximidade do julgamento, as coisas só pioraram pra Barry, que graças ao poder hipnótico do Flautista, acabou ganhando a inimizade do prefeito de Central City .Para proteger seus pais e Fiona, ele é obrigado a assumir uma nova identidade, deixando Barry Allen para trás.

Pequenas traições e decepções.

Durante o julgamento, ele não só descobre que Cecile Horton, sua própria advogada o odiava devido a um erro pretérito e pretendia desmascará-lo durante a audiência, como é traído pelo Kid Flash, que afirma que poderia ter tentado conter o Flash Reverso de formas menos derradeiras.

Como Barry tinha mudado de rosto números antes, para o alívio de todos que se importavam, Cecile não consegue provar que o Flash era Barry Allen.

De uma hora pra outra, vários vilões começaram a avistar o Reverso. O ponto é que isso afetou o julgamento. Se a vítima estava viva, não houve assassinato. Como o juiz que estava julgando o Flash tinha poderes sobre o tempo, ele levou a banca para testemunhar o momento em que o Flash matou o vilão, algo que o Reverso aproveitou e manipulou para que todos vissem Allen como culpado.

Flash vai preso e Nathan Newbury, o juiz, diz que sua presença lá era para assegurar a inocência do Flash, só que outro assumiu sua identidade. Curiosamente, este outro aprisiona toda a sua galeria de vilões e descobrimos que este Flash Reverso, na verdade era o Abra-Kadabra.

Final feliz, só que não.

Na última edição de The Flash, toda a confusão foi desfeita, o nome do Flash acabou sendo limpo e ele descobriu que íris não havia morrido de verdade. Na verdade, seu pai, que era um cientista do século XXX, sabia a data da morte da esposa do Flash e levou sua consciência para outro corpo criado por ele e ela passou a viver no futuro com sua família. Sim, ela veio do futuro, mas se você leu as aventuras do Wally, já sabe disso.

Acabou sendo um “Felizes para sempre”, só que não. Crise nas Infinitas Terras Chegou com a proposta de mudar todo o Universo DC e bem…  a história da aparição seguinte pode ser lida na coluna No século Passado do Fernando.

É curioso ver o quanto a saga foi longa.  Por mais que tenha pegado fogo nos últimos dois anos da série, ela foi plantada em  1979 e seguiu até 1985. É interessante ver que segundo o escritor, o ilustrador Ross Andru, que havia assumido o cargo de editor do título, sugeriu que ele remexesse no título, dando um tom mais adulto e moderno. Um dos elementos usados, foi a criação de tensões entre o casal Barry/Íris, algo que aconteceu, inclusive na edição que ela morreu.

A ideia do roteirista era mostrar que heróis da DC podiam passar péssimos momentos e segundo ele, a Crise deu uma amenizada no destino do título. Se a Crise nunca tivesse acontecido, por um tempo, as histórias mostram um Flash fora da lei que enfrentaria seus inimigos enquanto fugia da polícia. O ponto é que a Crise aconteceu, Barry Morreu e em 1987, tivemos um novo título do personagem estrelado por Wally West, que acabou sendo um Flash bem mais interessante e profundo. Essa passagem do personagem pelo século da Legião dos Super-Heróis cruza com uma história muito antiga, onde os Legionários encontraram os Gêmeos Tornado,então descendentes de Barry que após essa história passaram a ser filhos do personagem.

Gostaram da história?

Sabe por que ela é inédita no Brasil? Segundo o livro O Império dos Gibis de Maurício Muniz e Manoel de Souza, até 1985, JP Martins, um dos mais famosos tradutores dos quadrinhos praticamente decidia o que acontecia na Abril Jovem e ele e o editor Sérgio Figueiredo tinham uma máxima: “Só colocamos o que é bom nas páginas dos nossos quadrinhos”. Como a aparição de Barry na Crise foi autoexplicativa, eles continuaram ignorando a série como fizeram com todos os outros títulos que passavam por fases ruins.

Sim, foi uma decisão comercial. Mas será que eles estavam errados? Se colocassem Don Heck e Carmine Infantino dividindo as páginas com José Luiz Garcia Lopez, Neal Adams, Marshal Rogers, George Perez e outros desenhistas com traços mais modernos… você leria qual deles?

Bem, é isso. Nos vemos no futuro.

Conhecia essa história? Gostou do texto? Se gostou, comente. Adoramos suas opiniões.

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