Lembra disso?

Lembra disso? A Feiticeira (1964-1972)

Dando continuidade à contagem regressiva de WandaVision, chegou a vez de falarmos de uma das séries preferidas de muito marmanjo.

Lembra de A Feiticeira?

Nesse seriado que foi exibido entre 1964 e 1972, fomos apresentados a Samantha Stevens, uma feiticeira que escolheu viver uma vida mortal ao lado de seu marido Darrin (James no Brasil), o que acabou virando uma constante tentativa de esconder as esquisitices que aconteciam em sua casa, principalmente quando sua família, que era composta por feiticeiros aparecia para criar problemas.

Isso te lembra alguma coisa? Pois é… A estrutura dos dois primeiros episódios de WandaVision bebeu muito dessa fórmula. Samantha (Elizabeth Montgomery) levava uma vida dupla e de quebra, resolvia os perrengues de Darrin, que foi interpretado por Dick York nas cinco primeiras temporadas e por Dick Sargent nas últimas três.

Entre os parentes mais constantes estavam: A sogra Endora (Agnes Moorehead), que adorava infernizar o genro. Além de só chamá-lo de “Dumbo” (o primeiro Dick era orelhudo), sempre tentava levar a filha “de volta a razão”, o que nunca adiantou porque além de se manter casada, ainda teve dois filhos com o mortal: Tabitha (Erin Murphy) e Adam (os gêmeos Greg e David Mandel), a prima amalucada Serena, que era interpretada pela própria Elizabeth Montgomery, a Tia Clara (Marion Lorne), que sofria de uns esquecimentos estranhos e o Tio Arthur (Paul Lynde), um comediante que fazia piadas meio doentias. Entre os personagens mortais mais memoráveis estavam: Larry Tate (David White) , o chefe de Darrin e Gladys, a vizinha fofoqueira, que foi interpretada por Alice Pearce, que faleceu vítima de câncer, em 3 de março de 1966 e foi substituída por Sandra Gould, que seguiu até o fim da série.

Alias, Dick York, o Darrin original, contraiu sequelas e fortes dores após um acidente de carro em 1959. O uso dos medicamentos fez Dick York faltar constantemente às gravações da série. O caso foi ficando sério a ponto de cogitar a substituição do protagonista. A partir da sexta temporada, em 1969, o personagem James Stephens passou a ser interpretado por Dick Sargent, o que causou um grande estranhamento no público, que foi abandonando a série, que tentou se segurar até sua oitava e última temporada.

Um retrato de seu tempo:

Em fevereiro de 1964, a feminista Betty Friedan escreveu “Televisão e Mística Feminina” para o “TV Guide”, em que ela criticou a forma como as mulheres eram retratadas na televisão. Ela resumiu sua representação como domésticas estúpidas, pouco atraentes e inseguras. O tempo delas estava dividido entre sonhar com amor e tramar vingança contra seus maridos. Samantha não foi retratada dessa maneira e Endora usou palavras parecidas com Friedan para criticar o entediante trabalho doméstico.Outros analisaram o modo como a série “joga” e subverte uma rica carga de estereótipos e alusões culturais sobre bruxos, papéis de gênero, propaganda e consumismo. No episódio da primeira temporada, “Eat at Mario’s” (Feiticeira Bem Temperada), exibido em 27 de maio de 1965, Samantha e Endora cooperam no uso de sua feitiçaria para defender e promover um restaurante italiano de qualidade. Eles se deliciam com um papel ativo e agressivo no espaço público, abrindo novos caminhos na representação de mulheres na televisão. A série usava de humor e comédia para questionar o papel da mulher na sociedade na década de 1960, em momento que o feminismo ganhava força nos Estados Unidos. A Feiticeira também tecia críticas sociais pertinentes, em um momento de grandes transformações sociais.

Assista o episódio piloto abaixo:

Curiosidades:

  • As duas aberturas da série foram produzidas pela Hanna-Barbera, que queria muito produzir um desenho animado baseado na série, mas o projeto nunca aconteceu. O mais perto que tivemos de uma versão animada dos personagens foi a participação de Samantha e Darrin em Os Flintstones.
  • A abertura mostrava Samantha, caracterizada com roupa e chapéu de bruxa, sobrevoando com uma vassoura o céu estrelado e escrevendo o nome “Bewitched” em letras estilizadas. Após uma pequena mexidinha no nariz, ela surge na cozinha onde transforma-se em uma gata após ser beijada por Darrin; depois de pular no colo de Darrin retorna à forma humana, momento em que surge da panela no fogão uma enorme fumaça em que é creditado o nome de Agnes Moorehead como Endora. A segunda abertura, utilizada a partir da sexta temporada, credita o nome de Elizabeth Montgomery logo em seu início e altera a caricatura de James, tornando-a parecida com Dick Sargent, em razão da saída de Dick York. Também ocorreu alteração do jingle. Na fumaça onde antes era creditado somente o nome de Agnes Moorehead como Endora, também passam a ser creditados os nomes de David White como Larry Tate e dos produtores da série.
  • Com grande popularidade nos Estados Unidos, a série se tornou a segunda atração mais vista no país em seu ano de estreia e a mais longa série televisiva com temática sobrenatural durante os anos 60 e 70. Ao longo de suas oito temporadas, a série foi indicada aos prêmios mais respeitados da TV. Entre eles 4 Globos de Ouro e 22 Prêmios Emmy. Sendo que o momento mais memorável foi quando a atriz Marion Lorne ganhou o prêmio de melhor atriz coadjuvante em comédia pela performance de Tia Clara. Lorne faleceu 10 dias antes da cerimônia e Elizabeth Montgomery recebeu o prêmio em nome da atriz.

Derivados:

A série gerou pelo menoss dois derivados:

  • Thabatha, a filha da Feiticeira – Após o encerramento da série A Feiticeira, em 1973, a Hanna-Barbera criou um desenho animado chamado “Tabitha and Adam and the Clown Family”, com os filhos dos Stephens cantando em um circo. Em 1975, o produtor William Asher auxiliou na criação de um filme-piloto entitulado “Tabatha” (escrito com “a”), estrelando Liberty Williams. Dois anos depois, a ABC criou a série “Tabitha”, dessa vez com a grafia do título original. Várias pessoas que estiveram envolvidas com A Feiticeira também estiveram nesta produção, mas Elizabeth Montgomery (Samantha) e Dick Sargent (James) não participaram. As garotas Erin e Diane Murphy, as gêmeas que estrelavam a Tabatha em A Feiticeira, também não estavam neste projeto, o que desencorajou muitos fãs das atrizes a assistir à nova série. No início dos anos 80, a Rede Globo exibiu por pouco tempo alguns episódios de Tabatha no final da tarde. Na série, a filha da feiticeira é uma jovem que herda os poderes mágicos da mãe e Adam, seu irmão, não possui poderes mágicos, sendo apenas um simples mortal, como o pai. Versão moderna e independente da mãe, a charmosa Tabatha demonstra isso logo numa das aberturas da série quando dirige seu carro no trânsito caótico, deixando Adam apavorado com suas peripécias ao volante. Nos episódios aparece também a Tia Minerva, uma bruxa que sempre envolve os dois irmãos em problemas. Como o pai, Adam tenta desencorajar Tabatha a usar seus poderes mágicos, mas a Tia Minerva reforça o lado bruxinha da moça.
  • Filme A Feiticeira (2005) – Nora Ephron e Delia Ephron,  nos apresentaram a história de  Isabel Bigelow  (Nicole Kidman), uma feiticeira nos mesmos moldes de Samantha que é contratada para protagonizar o remake de A Feiticeira. No filme a história da atriz se confunde com a personagem, principalmente quando ela se envolve com o mortal Jack Wyatt (Will Ferrew) que foi escalado para interpretar o novo Darrin Stephens. Tal qual a série, o grande destaque é a família da feiticeira, composta por coadjuvantes famosos.

E no Brasil?

No Brasil, A Feiticeira estreou em 1965 pela TV Paulista. Em 1968, a série passou a ser veiculada pela TV Excelsior e logo depois passou para a TV Record. Na década de 1970, a TV Globo exibiu reprises da série na programação matutina. Com a massificação da TV a cores, as duas primeiras temporadas, produzidas em preto e branco, geralmente eram ignoradas pelas emissoras, assim como ocorreu nos Estados Unidos.

Em 1999, a recém-inaugurada RedeTV! passou a exibir a série às 20h30, juntamente com Jeannie é um Gênio. Em 2001, a emissora também passou a exibir as duas primeiras temporadas, colorizadas por computador e com dublagem original. Reestreou na programação da RedeTV! em 6 de março de 2006,  sendo exibida de segunda a sexta às 14h, migrando para às 18h45 e posteriormente para às 20h40, até que deixou de ser exibida em razão do horário político na ocasião das Eleições gerais no Brasil em 2006. Deixou a programação da RedeTV! em 2007. Foi exibida também na Rede 21, do Grupo Bandeirantes, entre 2004 e 2006. Entre 2008 e 2013, foi exibida pela Rede Brasil de Televisão na televisão aberta.

Desde 2019, é exibida pela Rede Brasil as segundas e quintas-feiras às, 07h30, 13h15 e as 21h00.

Em abril de 2020, passou a ser exibida pela TV Cultura.

TV por Assinatura

Na TV por assinatura, a série foi exibida na década de 1990 pelo canal Warner Channel. Também foi exibida pela Nickelodeon, no bloco noturno Nick at Nite entre 2006 e 2010, e saiu do ar após reformulações na programação do canal. Estreou na programação do Canal Viva no dia 2 de julho de 2018, sendo exibida de segunda a sexta, às 08h00, 02h45 e 05h50 com os episódios disponibilizados no serviço de streaming do canal, o Viva Play, onde as temporadas ficam disponíveis antes da exibição da TV. No Viva, foram exibidas apenas as cinco primeiras temporadas, não sendo exibidas, curiosamente, as três últimas temporadas após a substituição de Dick York por Dick Sargent. Além disso, alguns episódios da segunda temporada não foram exibidos, bem como episódios com dublagem parcial ou totalmente perdida nas temporadas seguintes. A série deixou a programação do canal em 1 de setembro de 2020.

Dublagem brasileira

No Brasil, A Feiticeira foi dublada nos estúdios de dublagem da AIC São Paulo , sendo a série mais longa que o estúdio dublou integralmente, em seus mais de 10 anos de existência. A dublagem original de todas as temporadas foi preservada, apesar de poder apresentar, eventualmente, problemas como falhas no áudio, efeitos sonoros e falas fora de sincronismo, enquanto que alguns episódios tiveram a dublagem original parcial ou totalmente perdida. O personagem Darrin teve o nome alterado, na dublagem em português, para James em razão da pronúncia mais fácil e comum. Devido à longevidade da série, alguns personagens tiveram o dublador modificado . A dubladora Nícia Soares deu voz à Samantha durante a primeira temporada e alguns episódios da segunda temporada. A partir da segunda temporada, Rita Cléos deu voz à personagem principal até o final da série. James foi dublado por Sérgio Galvão, depois Gervásio Marques e posteriormente Olney Cazarré até a quinta temporada. A partir da sexta temporada, em que o personagem James passa a ser interpretado por Dick Sargent, o dublador passou a ser Osmiro Campos. Ao longo da série, outros personagens também tiveram os dubladores modificados.

  • Samantha (Elizabeth Montgomery): Nícia Soares (1ª voz) / Rita Cléos (2ª voz)
  • James (Dick York) : Sérgio Galvão (1ª voz) / Gervásio Marques (2ª voz) Olney Cazarré(3ª voz)
  • James (Dick Sargent): Osmiro Campos (1ª voz) / Olney Cazarré (2ª voz)
  • Endora (Agnes Moorehead): Márcia Real (1ª voz) / Lia Saldanha (2ª voz) / Gessy Fonseca (3ª voz) / Helena Samara (4ª voz)
  • Larry Tate (David White): Antônio Aragão (1ª voz) / Waldir Guedes (2ª voz) / José de Freitas (3ª voz) / Raimundo Duprat (4ª voz)
  • Louise Tate (Irene Vernon): Judy Teixeira
  • Louise Tate (Kasey Rogers): Judy Teixeira
  • Tia Clara (Marion Lorne): Rachel Martins (1ª voz) / Gessy Fonseca (2ª voz) / Elza Martins (3ª voz) / Noeli Mendes (4ª voz) / Maria Inês (5ª voz)
  • Gladys Kravitz (Alice Pearce): Isaura Gomes (1ª voz) / Helena Samara (2ª voz)
  • Gladys Kravitz (Sandra Gould) : Isaura Gomes
  • Abner Kravitz (George Tobias) : Marcelo Ponce (1ª voz) / Newton Sá (2ª voz) / Xandó Batista (3ª voz)
  • Phyllis (Mabel Albertson): Rachel Martins (1ª voz) / Judy Teixeira (2ª voz) / Maria Inês (3ª voz) / Isaura Gomes (4ª voz
  • Frank (Robert F. Simon): Amaury Costa (1ª voz) / José Soares (2ª voz) / João Ângelo (3ª voz
  • Frank (Roy Roberts): Luiz Pini (116) / Wilson Kiss (130)
  • Maurice (Maurice Evans): Renato Restier (041) / João Ângelo (077/168) / Sílvio Navas (167)
  • Tio Atthur (Paul Lynde) : Ary de Toledo (1ª voz) / Silvio Matos (2ª voz)
  • Dr. Bombay (Bernard Fox): Mário Vilela (1ª voz) / João Ângelo (2ª voz)
  • Secretária Betty (Jill Foster): Magda Medeiros ((049/068) / Siomara Naggy (067) / Líria Marçal (073) / Aliomar de Matos (097) / Maralise Tartarine (104) / Deise Celeste(112/120) / Elvia Samara (153)
  • Frank O’Hara, o bêbado (Dick Wilson) : Amaury Costa (057) / Borges de Barros (135/141/145/148) / Walmir Barros (113/118)
  • Serena (Elizabeth Montgomery): Rita Cléos

DVD

A partir de 2005, a Sony Pictures Home Entertainment lançou as oito temporadas de A Feiticeira em DVD, masterizado em alta definição, com a dublagem original de todas as temporadas, em português e espanhol, além do áudio original legendado, todos com áudio 2.0 Dolby Digital.

Bem, por hoje é só. Esperamos que você tenha gostado desse revival e que volte todos os dias, até sexta para relembrar séries que podem ter marcado sua infância.

Até mais!

Alexandre D´Assumpção

Segundo o Guia do Mochileiro das Galáxias, Alexandre D’assumpção, ou The Sumpa, é praticamente inofensivo. Apesar de todas as lendas a seu respeito, ele é apenas um professor Nerd, redator, roteirista de quadrinhos e audiovisual que nos anos 80 pediu carona para uma cabine azul e desde então, tem vivido suas aventuras através do espaço/tempo. Para facilitar a viagem, tornou-se mestre Zen na arte de ter um rosto tão comum que todos sempre o cumprimentam imaginando se tratar de outra pessoa; normalmente ele mesmo. Dono de uma péssima memória, ele nunca se lembra de detalhes importantes como rostos, grupos que passou nem dos inimigos que ameaçam sua vida, o que é péssimo quando ele os encontra em becos escuros. Sua toalha é customizada e ostenta a máscara da Iniciativa Gambate, empresa criada por ele para levar a cultura Pop a todos aqueles que dela precisarem, estejam onde estiverem. De tempos em tempos ele reverte a polaridade de sua chave de fenda sônica e leva algum compannion para passeios transmídia, seja em eventos, festivais ou programas de TV. No caso de um avistamento, principalmente se The Sumpa for a personalidade dominante, espere o inesperado e corra para sobreviver.

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