Leituras do Sumpa

Leituras do Sumpa: A primeira aparição de Shang-Chi

Special Marvel Edition #15

Shang-Chi e a Lenda dos dez anéis estreia essa semana e resolvemos rever a origem original do personagem.

Não sei se você sabe, mas Shang-Chi, o Mestre do Kung-fu foi criado em 1972 por Steve Englehart e Jim Starlin. Os dois eram amigos, viviam se encontrando as 4:20 e numa dessas, comentaram que seria interessante fazer um personagem inspirado no Seriado Kung-fu, estrelado pelo David Caradine, que fazia muito sucesso na época.

Sim, por mais que o personagem tenha ficado mais famoso quando se assemelhava com Bruce Lee, sua inspiração não foi o artista marcial chinês.

E a nova ideia foi lançada na Special Marvel Edition #15, na história: Shang-Chi, o Mestre do Kung-fu. Sim, o título era o nome do personagem, mas quem se importa?

Nos anos 70, a Marvel tinha uma parceria com os herdeiros de Sax Rhomer, o criador do Fu-Manchu e conseguiu que o clássico vilão dos pulps fizesse as vezes de pai vilão de Shang-Chi. Curiosamente, em sua primeira aparição, ele comenta que se vê como um mandarim moderno.

Filho do Fu-Manchu:

Pra transformar o filho de um mandarim no filho do Mandarim são dois palitos, né? Ate que faz sentido, uma vez que por mais que ele na verdade, morasse em Nova Iorque, Fu-Manchu era o mal oculto por trás da China.

Na verdade, a fase escrita por seus criadores foi uma sucessão de clichês de filmes de artes marciais. O personagem era um pacifista, tinha uma base taoista, enfrentava todo tipo de lutador marcial e tinha uma picuinha com o pai bandido.

O diferencial?

Na verdade, os diferenciais.

Ele era uma espécie de experimento eugênico. Seu pai escolheu uma mulher com genes bons o suficiente para gerar o herdeiro perfeito. Como foi criado num ambiente isolado, sua ingenuidade é gritante, tanto que ao ser enviado para matar o Doutor Petrie, acaba conversando com  sir Denis Nayland Smith, outro inimigo de seu pai.

Tamanha a sua ingenuidade, que bastou essa conversa pra ele questionar seu pai e trocar de lado. Tudo bem que o roteiro precisa que isso aconteça e os roteiros da quela época ainda eram bem corridos, mas…sim, é uma mudança rápida demais.

No fim da história, Shang-Chi acaba enfrentando todos os obstáculos que impediam a chegar até seu pai e encara o velho. Os dois acabam tendo uma conversa que parecia texto de biscoito da sorte e rompem relações. Como ele acaba rompendo laços com a única família que tem, vai literalmente para o olho da rua e vira uma espécie de mendigo, algo que só quem tem alguma maturidade percebe porque o roteiro dessa história (e das seguintes) não deixa isso muito claro.

Sinceramente?

É tudo tão genérico que dificilmente estaríamos falando sobre o personagem se Dough Moench não tivesse assumido os roteiros e contado histórias de espionagem usando esses personagens, o que os levou para outro patamar.

E bem…

Diferente do Shang-Chi do cinema, esse é só um cara que luta Kung-fu bem o suficiente para vencer seus inimigos. Sempre lembrando que ele não é filho do Mandarim, mas que essa adequação funcionou bem dentro do contexto do Mestre do Kung-Fu. Uma curiosidade é que hoje em dia, nem filho do Fu-Manchu ele é mais. Como a Marvel perdeu o direito de uso do personagem, ele foi rebatizado como Zheng Zu e o baile seguiu como se nada tivesse acontecido.

Essa primeira história nem é tão ruim, só é genérica. Os autores pegaram todos os estereótipos filosóficos e raciais encontrados nos filmes de artes marciais daquela época e tacaram no liquidificador junto com uma série de conceitos chupados dos pulps e bem.

Apesar de ter o dobro de páginas dos quadrinhos de linha dessa época e ter aquele excesso de texto típico dos anos 70 que muitas vezes disputam espaço com os quadrinhos ou narram coisas que as imagens já nos mostram, é possível ver o embrião da narrativa cinematográfica que viria a ser adotada pela série.

Cringe?

Como era uma fase de experimentalismo, as páginas têm muitos quadros a mais do que estamos acostumados hoje. Não é uma leitura desagradável, tanto que o título durou por volta de uma década e rendeu um filme live action em 2021.

Estamos falando de um gibi de 48 anos, os Millennials podem até considerá-lo cringe, mas quem se importa com eles? O personagem e suas aventuras marcaram toda uma geração.

No Brasil, o personagem passou pelo título Kung-fu da Ebal, teve título próprio na Bloch e começou a ser publicado na Editora Abril a partir de Heróis da TV #3, que publica exatamente a história que estamos comentando. Na verdade, ela já tinha saído nas duas editoras anteriores, mas quem se importa? Foi a Abril que mesmo publicando de forma errática, acabou concluindo as aventuras do personagem.

Alexandre D´Assumpção

Segundo o Guia do Mochileiro das Galáxias, Alexandre D’assumpção, ou The Sumpa, é praticamente inofensivo. Apesar de todas as lendas a seu respeito, ele é apenas um professor Nerd, redator, roteirista de quadrinhos e audiovisual que nos anos 80 pediu carona para uma cabine azul e desde então, tem vivido suas aventuras através do espaço/tempo. Para facilitar a viagem, tornou-se mestre Zen na arte de ter um rosto tão comum que todos sempre o cumprimentam imaginando se tratar de outra pessoa; normalmente ele mesmo. Dono de uma péssima memória, ele nunca se lembra de detalhes importantes como rostos, grupos que passou nem dos inimigos que ameaçam sua vida, o que é péssimo quando ele os encontra em becos escuros. Sua toalha é customizada e ostenta a máscara da Iniciativa Gambate, empresa criada por ele para levar a cultura Pop a todos aqueles que dela precisarem, estejam onde estiverem. De tempos em tempos ele reverte a polaridade de sua chave de fenda sônica e leva algum compannion para passeios transmídia, seja em eventos, festivais ou programas de TV. No caso de um avistamento, principalmente se The Sumpa for a personalidade dominante, espere o inesperado e corra para sobreviver.

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