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Landru, o famigerado barba azul de Chaboute

Editora Pipoca e Nanquim traz mais um clássico moderno Francês.

Chaboute está de volta ao Brasil.

É impossível não parabenizar a editora Pipoca e Nanquim por mais um acerto além de revelar quadrinistas desconhecidos em nosso país, é também responsável por republicar excelentes trabalhos. Entre esses consagrados autores em seu catálogo está, um dos mais influentes e importantes quadrinistas contemporâneos da França, o grandioso Christophe Chabouté, a atual obra é a quarta publicada pela empresa no país.

O álbum mostra o mais famoso assassino serial da França, esse ser monstruoso possui uma relevância tão grande que já rendeu diferentes projetos audiovisuais como o filme chamado de Landru dirigido por Claude Chabrot, uma série feita para a TV, de mesmo nome, sem falar que sua narrativa também inspirou o mestre Charles Chaplin produzir Monsieur Verdoux.

A história como se deve imaginar gira em torno dessa figura emblemática, um estelionatário responsável por pequenos esquemas ilícitos que durante a primeira guerra mundial começou aplicar golpes em mulheres abastadas e solitárias, ele as seduzia ganhando sua confiança e posteriormente levando-as até algum lugar afastado onde as matava, cortava seus membros, queimava seus restos, contudo esse modus operandi é apenas especulação, pois não foram encontradas muitas provas, apenas alguns objetos e outros fatos circunstanciais, o próprio criminoso na antes de ser dada a decisão do tribunal alegou ser inocente.

Assim como a graphic novel Do Inferno de Alan Moore, Chabouté aproveita para contar uma história ficcional baseada em fatos reais, o autor se vale de estudos bibliográficos, da reconstrução dos documentos e arquivos históricos, bem como o acesso a transcrição do julgamento do assassino da barba azul, alcunha pela qual Landru ficou conhecido ao ter sua descrição física vazada pela imprensa da época.

A arte e o roteiro são impecáveis, Chabouté começa com um plano detalhe de uma mosca e como num filme o quadro se abre para revelar uma estátua, seguindo o movimento do inseto acompanhamos os detalhes de um julgamento, com pessoas quase dormindo, muitos entediados enquanto outros se mostram interessados na narrativa de um dos acusadores que relata os crimes e mostra ao público o barba azul.

A noção de anatomia, perspectiva, de narrativa, de luz e sombras é impressionante é perceptível as expressões e emoções de cada uma das pessoas, conforme a sequência vai se intensificando a sensação de descaso dá lugar a um olhar de medo e de ódio entre os ouvintes, nesse momento a história sofre com uma elipse temporal somos apresentados a uma sequência de encher os olhos. Novamente o autor brinca com os planos detalhes para mostrar alguns roedores e conforme o enquadramento vai aumentando vemos que estamos no front de guerra.

O medo, a dor, o frio e o desespero são palpáveis nos desenhos, o nanquim preto parece jorrar a cor vermelha e toda essa ação é entrelaçada por uma recurso narrativo que dá ainda mais peso as cenas, há a transcrição de uma carta desses soldados relatando as terríveis condições e nos lembrando que muitos franceses foram mortos nas trincheiras deixando para trás inúmeras viúvas e órfãos, isso leva a uma narrativa paralela muito bem conduzida que se entrelaça com o conto de vilão da obra.

Novo salto temporal e vemos o criminoso se apresentando e começando a sua jogada, ele se valia de anúncios de jornal para encontrar suas presas, mulheres carentes por terem sido deixadas sozinhas e com a necessidade de se casar para poderem pertencer àquela sociedade. Barba Azul mostrasse sedutor, ganha a confiança dessas mulheres e as explora.

Uma das coisas mais interessantes no álbum é como o autor tenta reinventar e reimaginar esses encontros, sobre o que falavam, como o assassino se mostrava um homem sério e cheio de boas intenções. Por mais que a obra possa ser sobre um assassino, os detalhes mais violentos não são tão graficamente mostrados, deixando para a imaginação do leitor o que ocorreu.

O trabalho de Chabouté é muito impactante, há páginas chapadas de preto que dão a sensação de medo e de angústia, ao retratar as cenas na casa de campo que contrasta com as páginas com os fundos brancos que sugerem tempos felizes, durante os vários “namoros”. A narrativa é extremamente hábil e permite páginas com apenas onomatopeias para evitar a repetição, é uma hq excepcional muito bem pensada e trabalhada.

Infelizmente discorrer mais sobre a obra sem entregar muitos detalhes é impossível, contudo, ainda é válido ressaltar que essa publicação está fantástica trazendo como extra o histórico dessa polêmica figura, simplesmente uma obra imperdível, seguindo o bordão do Pipoca é um verdadeiro Petardo.

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