Cineclube

Laerte-se (2017)

“Sonhei que era uma borboleta, e quando acordei vi que era um homem. Agora não sei se sou um homem que sonhou ser borboleta, ou se sou uma borboleta que sonha ser um homem”.

Chuang Tzu

O que você vai encontrar em Laerte-se?

É mais fácil dizer o que você não vai encontrar: Preconceito.

No documentário, Laerte se desnuda e nos mostra o momento que saiu da crisálida, tornando-se a bela borboleta que sempre esteve destinado a se tornar.

O documentário mostra elementos da vida pessoal da Laerte entrecortados por conversas com Eliane Brum, que ao lado de Lygia Barbosa da Silva é uma das responsáveis pelo documentário. Nessas conversas, vemos o quanto a arte não só imita a vida como muitas vezes, serve como um grito silencioso por liberdade (ou um pedido de ajuda).

Ao falar sobre Diogo, o filho cuja perda tornou-se seu choque de realidade,

Não sei quem disse que você precisa se perder pra se achar, mas a frase se encaixa na história da Laerte após 2009, quando perdeu o filho Diogo e todas as suas certezas desabaram.

Laerte se desnuda para nós:

Não sei se você sabe, mas o artista se comunica com o mundo através da sua arte, que é uma manifestação de suas crenças e certezas. Quando ele desaba, a comunicação é interrompida até ele descobrir uma nova identidade que inventará uma nova forma de passar sua mensagem.

Além das mudanças físicas, essa época nos mostrou um Laerte em busca de si mesmo não só como pessoa, mas como artista também. Ele praticamente abandonou os personagens e teve de descobrir uma nova forma de fazer o que sempre fez.

Não estamos falando sobre superar perdas. Nenhum pai (no caso mãe) quer viver mais que os filhos, mas a grande verdade é que toda essa desconstrução fez bem pra Laerte.

Ela se achou. E é a partir daí que a história realmente começa.

Uma pessoa em construção:

Ao longo do documentário, vemos uma colagem de certezas e dúvidas. Vitórias e situações em construção.

Algumas giram em torno das incertezas profissionais da desenhista que apesar de ter uma carreira consolidada ainda tem momentos em que se vê como uma espécie de impostora, outras da manutenção da borboleta.

O que é ser mulher? Onde está o feminino? Quando ele nasce?

O documentário nos mostra as questões da Laerte em sua busca por uma estética que lhe faça descobrir o tipo de borboleta que ela realmente é.

Paralelo a isso, vemos tiras animadas que dizem mais sobre os sentimentos e expectativas do artista e da pessoa.

É bonito e poético.

O documentário é uma ode a aceitação. Por mais que seja um questionamento sobre o quanto é difícil ser diferente numa sociedade que depende da igualdade para existir, isso serve não só para os trans, mas para qualquer um que por um motivo ou por outro acabe vivendo fora das regras que mantém a normalidade.

Tal qual a Laerte, você também pode ser feliz, independente de quem e como você é.

Laerte-se, que está disponível na Netflix é obrigatório para quem quer conhecer a sensibilidade da mulher por trás de um dos ícones dos quadrinhos nacionais.

Alexandre D´Assumpção

Segundo o Guia do Mochileiro das Galáxias, Alexandre D’assumpção, ou The Sumpa, é praticamente inofensivo. Apesar de todas as lendas a seu respeito, ele é apenas um professor Nerd, redator, roteirista de quadrinhos e audiovisual que nos anos 80 pediu carona para uma cabine azul e desde então, tem vivido suas aventuras através do espaço/tempo. Para facilitar a viagem, tornou-se mestre Zen na arte de ter um rosto tão comum que todos sempre o cumprimentam imaginando se tratar de outra pessoa; normalmente ele mesmo. Dono de uma péssima memória, ele nunca se lembra de detalhes importantes como rostos, grupos que passou nem dos inimigos que ameaçam sua vida, o que é péssimo quando ele os encontra em becos escuros. Sua toalha é customizada e ostenta a máscara da Iniciativa Gambate, empresa criada por ele para levar a cultura Pop a todos aqueles que dela precisarem, estejam onde estiverem. De tempos em tempos ele reverte a polaridade de sua chave de fenda sônica e leva algum compannion para passeios transmídia, seja em eventos, festivais ou programas de TV. No caso de um avistamento, principalmente se The Sumpa for a personalidade dominante, espere o inesperado e corra para sobreviver.

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