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Não Assistimos: King Kong (1933)

Assistir o King Kong de 1933 é entender que o filme foi escrito para pessoas diferentes, que viviam num mundo diferente e que tinham buscas até semelhantes as nossas, mas com soluções diferentes.

Também é ignorar o macaco, que parece a Monga, a Mulher gorila. Falso é apelido, e tem as expressões… Bora seguir pro filme porque pensar demais é sinônimo de desistir.

A história é a mesma do 2005, alias, o único que não adaptou o original e criou uma história inédita foi Kong: Ilha da Caveira.

O Carl Denham de Robert Armstrong é um veterano da Broadway que tem uma estranha atração por coisas esquisitas. Ele contrata a equipe de um navio para ir a uma locação misteriosa que ele só revela no momento certo. Ninguém entende o motivo de um cineasta viajar com um carregamento de armas e bombas capazes de vencer uma guerra, nem mesmo o arrojado John Driscoll (Bruce Cabot), um marinheiro durão capaz de enfrentar qualquer perigo, mas que acaba enfraquecido ao descobrir que sente algo por Ann Darrow (Fray Way).

É interessante ver como as pessoas pensavam na época. Darrow só foi levada porque os críticos diziam que os filmes de aventura de Denham não funcionam porque não tem nenhuma mulher no elenco. Sim, a função da personagem é ser um enfeite. Isso foi mudado anos depois para dar mais sentido a ela do que ser alguém que foi encontrada só porque estava com fome e roubou uma maçã. Sim, por mais que ela já tenha ouvido falar do produtor, em momento algum é dito que ela é atriz. Nem precisa, né? Sua função é gritar e ter as roupas rasgadas por um macaco gigante.

Driscoll e Darrow vivem um fiapo de romance. Na verdade, ele fala pra ela seus sentimentos de um jeito completamente desengonçado e como todo macho-alfa da época, dá uma risada vitoriosa após conseguir o beijo da dama. O curioso é que ao longo do filme ele meio que deixa ela de lado em muitos momentos. Esse romance só é lembrado nos momentos necessários, o que nos dá a chance de ver as reais qualidades do personagem, que é um herói de ação durão.

Chegando na ilha, acontece uma coisa impensável hoje em dia: os aldeões oferecem uma quantidade de mulheres para trocar pela valiosa “mulher dourada” que seria um sacrifício bem mais valioso para seu deus símio do que as mulheres negras da tribo. Em determinado momento, toda a tribo parece estar dançando Charleston. É um troço tão fake que poderia estar numa das apresentações da Josephine Baker. Outro momento que deve ter feito sentido na época, mas hoje em dia é ridículo, são os monstros. Estamos falando de um filme do começo do stop motion e do Chroma Key, então perdoamos todos os defeitos especiais.

E o que são todos aqueles dinossauros? Pegaram os brinquedos de alguém e começaram a filmar? O curioso é que essa luta dos personagens contra os dinossauros toma uma grande parte do filme, até mais do que o próprio Kong e sua sequestrada.

Quando o King Kong finalmente sequestra Darrow, levam muito tempo para mostrar a reação da personagem, que em momento algum simpatiza com seu algoz. Os filmes seguintes não só inseriram esse elemento como deixaram o Kong menos inteligente e carniceiro. O macaco de 1933 gostava de comer e de pisotear pessoas, algo que fez em várias cenas. Ele também deu dicas de que era bem mais inteligente e detalhista que seus sucessores. Um bom exemplo disso pode ser visto quando ele se liberta em Nova Iorque ou quando ele despeja sua fúria sobre os aldeões. Alias, ele segue em busca da loira, que fugiu, mas ele consegue retirá-la do quarto em que se escondeu, metendo a mão na janela e arrancando ela da cama.

Como eu disse lá em cima, ela não quer nada com o macaco, prefere o marinheiro, que segue o conselho popular e leva ela prum quarto.

Outra diferença é a forma como a imprensa irrita o macaco. Eles são avisados de que as fotos podem incomodá-lo, mas não se importam e um deles ainda debocha da advertência.

É interessante ver como ele atravessa Nova Iorque e leva sua presa para o Empire State Building, onde é abatido por dois biplanos e suas metralhadoras. O curioso é que um dos pilotos deixa bem claro o prazer quase sádico ou sexual que tem ao abater o animal.

No fim, vemos a citação da história de que a ela matou a fera, que aqui é muito em construída e aparece mais de uma vez, até finalmente ser usada no momento certo.

O filme é ruim? Olha, tirando todas as limitações da época, a história não envelheceu mal, não. Não é a toa que o personagem virou um clássico, que faz sucesso até hoje, quando a maioria dos seus contemporâneos acabou esquecido.

Sinceramente? Dentro do que ele se propõe, acaba sendo até melhor do que o de 2005, acabou ficando meio água com açúcar.

King Kong (1933)

Livre | 1h 40min | Aventura, Horror, Sci-Fi | 26 Maio de 1933 (Brasil)

Uma equipe de filmagem vai a uma ilha tropical para uma locação exótica e descobre um macaco colossal. Ele é capturado e levado de volta à cidade de Nova York para exibição pública.

Diretores:

Merian C. Cooper, Ernest B. Schoedsack,

Roteiro:

James Ashmore Creelman (como James Creelman), Ruth Rose 

Elenco:

Fay Wray, Robert Armstrong, Bruce Cabot

Alexandre D´Assumpção

Segundo o Guia do Mochileiro das Galáxias, Alexandre D’assumpção, ou The Sumpa, é praticamente inofensivo. Apesar de todas as lendas a seu respeito, ele é apenas um professor Nerd, redator, roteirista de quadrinhos e audiovisual que nos anos 80 pediu carona para uma cabine azul e desde então, tem vivido suas aventuras através do espaço/tempo. Para facilitar a viagem, tornou-se mestre Zen na arte de ter um rosto tão comum que todos sempre o cumprimentam imaginando se tratar de outra pessoa; normalmente ele mesmo. Dono de uma péssima memória, ele nunca se lembra de detalhes importantes como rostos, grupos que passou nem dos inimigos que ameaçam sua vida, o que é péssimo quando ele os encontra em becos escuros. Sua toalha é customizada e ostenta a máscara da Iniciativa Gambate, empresa criada por ele para levar a cultura Pop a todos aqueles que dela precisarem, estejam onde estiverem. De tempos em tempos ele reverte a polaridade de sua chave de fenda sônica e leva algum compannion para passeios transmídia, seja em eventos, festivais ou programas de TV. No caso de um avistamento, principalmente se The Sumpa for a personalidade dominante, espere o inesperado e corra para sobreviver.

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