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Homem-Aranha: História de Vida

Chip Zdarsky reconta a história do Aranha como se o tempo tivesse passado normalmente.

Panini lança um clássico moderno.

Homem-Aranha: História de Vida.

Seja um marinheiro de primeira viagem ou alguém que já é leitor das antigas uma coisa é certa a cronologia é sempre o calcanhar de Aquiles para os colecionadores, é cansativo acompanhar tantas reformulações e é fator de afastamento para novos e velhos consumidores, eventos importantes que aconteceram décadas atrás ainda estão frescos na memória dos personagens, como a morte de Gwen Stacy no longínquo ano de 1973 que reverbera até hoje na vida de um certo Peter Parker. Outro fator que causa a desistência de muitos leitores é o desrespeito com as histórias do passado, o teioso já foi substituído por seu clone e teve cerca de 20 anos apagados, o período de seu casamento, para que ele pudesse ser mais acessível a novas gerações, entre outras atrocidades.

Como seria se o tempo tivesse fluido normalmente?

O escritor Chip Zdarsky teve a ideia de remodelar toda a cronologia da Marvel, tentando dar uma certa linearidade, ou seja, sua intenção era recontar toda a história da editora através das décadas com os heróis envelhecendo conforme o tempo passava, logicamente foi desencorajado pelos editores, o ideal seria manter seu foco em apenas um dos personagens, assim ele acabou escolhendo seu herói predileto para o projeto e o resultado é impressionante.

Auxiliando Zdarsky estava, nos desenhos, ninguém menos que Mark Bagley, detentor de um traço bastante familiar aos leitores do aranha sendo aqui auxiliado por John Dell e Andrew Hennessy na arte-final e de Frank D’Armata nas cores. Mark teve passagens importantes e longevas à frente do cabeça de teia, entrando logo após a saída de Erik Larsen para Image Comics. Bagley ajudou na criação do Carnificina, passou por Carnificina Máxima, pela a famigerada saga do clone, chegou a desenhar histórias do Venom e foi responsável pela suposta morte da Tia May. Contudo, o recorde mais impressionante foi alcançar a marca de 111 edições consecutivas junto ao Brian Michael Bendis frente ao título Ultimate Spider-man, detalhe essa foi a parceria mais duradoura dentro da Marvel batendo a dupla Stan Lee e Jack Kirby que ultrapassaram a marca de 100 edições com a revista do Quarteto Fantástico.

Como dito a história foi dividida em 6 volumes, cada um representando um momento importante na vida de Peter Parker, começando nos anos 60 até os dias atuais. Esse exercício de imaginação foi muito bem feito, Zdarsky mostra que ele realmente entende da cronologia do herói pontuando situações específicas e mudando radicalmente outros aspectos da história.

Seis décadas, seis edições.

No primeiro arco somos jogados em 1966, anos após o surgimento do Homem-Aranha e a morte do Tio Ben, aqui são mencionados momentos bem marcantes como as manifestações contra a guerra do Vietnã, situação que foi abordada por Stan Lee em diferentes momentos, temos a aparição especial do Capitão América, que tenta responder as inquietações do jovem aranha sobre a legitimidade da guerra e se ele deveria ou não se voluntariar, uma vez que é dotado de poderes, outra discussão bem fundamentada fica a cargo do alistamento de Flash Thompson, que de fato foi para guerra. Além disso a história ainda respeita o relacionamento de Peter e Gwen também relembra os embates do Duende Verde com o teioso, um fato divertido é a clara homenagem ao primeiro filme de Sam Raimi, a cena em que Peter conhece Normam está muito parecida e até o diálogo faz menção ao filme.

No segundo volume, durante os anos 70, a homenagem principal fica para a saga da morte de Gwen Satcy, aqui o relacionamento dos dois é muito diferente do que conhecemos e sua morte é muito inesperada, mesmo sabendo que ela ocorreria somos pegos de surpresa, a saga do clone original também é referenciada assim como o envolvimento da Tia May com um certo Doutor Octopus, algo que acalenta os leitores que conhecem os arcos originais, respeita essa sensação de saudosismo e ainda entrega algo novo.

A terceira edição mostra os acontecimentos da década de 80, temos aqui a menção as Guerras Secretas e o aparecimento de um certo uniforme negro, bem como a morte de Kraven, não podendo ficar de fora o arco do casamento e o relacionamento entre a MJ e o Peter, que é bem emocionante, o medo que ela sente ao ver seu marido, um homem de meia idade, sair para combater o crime, além da solidão que ela sente é bem palpável.

A quarta revista faz menção aos anos 90, apresenta uma nova versão da saga do clone, já a quinta edição menciona eventos como o 11 de setembro, a guerra civil e o aparecimento de Morlun, a sexta e última faz menção a fase do superior Homem-Aranha, infelizmente divagar um pouco mais seria impossível sem dar spoilers.

Recomendaçao.

Homem-aranha: História de Vida é de longe uma das melhores histórias do teioso, ela respeita a cronologia trazendo alguns dos eventos mais importantes da carreira desse grande herói criando algo novo, como Moore fez em Watchmen, aqui o mundo é diferente do nosso, a existência de heróis modifica a dinâmica da guerra do Vietnã, o mundo é muito mais tecnológico graças as invenções da Fundação Futuro, que possui membros bem diferentes do que conhecemos. O envelhecimento de Peter mostra questionamentos e relações diferentes com as pessoas de sua vida, sem sombra de dúvida é uma história espetacular tanto para o leitor casual como para o veterano, a diferença é que o colecionador mais velho vai conseguir aproveitar um pouco mais das inúmeras referências dessa declaração da amor ao cabeça de teia.

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