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Godzilla VS Kong (2021)

No prícípio…

Em 1962, a Toho produziu King Kong vs. Godzilla, um filme que reunia pela primeira vez os dois mais importantes monstros do cinema moderno.

Ao longo dos quase 60 anos entre o original e a versão americana, vimos diferentes releituras das aventuras isoladas do macaco americano e do lagarto japonês pipocando no mercado americano. Se por um lado, King Kong praticamente sobreviveu e teve sucesso através das décadas basicamente adaptando a história do filme de 1933 para a moral vigente das épocas em que a história foi recontada, as tentativas de adaptar Godzilla não tiveram tanto sucesso fora do Japão, onde o personagem tinha um universo extremamente complexo, com inimigos e parceiros que vez ou outra ganhavam filmes solo.

Monsterverso:

Aí veio a Legendary e seu Monsterverso e tudo mudou. Não só vimos a primeira aparição versão americana dos inimigos de Godzilla como fomos surpreendidos com anúncios do embate entre os dois Titãs, que agora, pertenciam ao mesmo universo. E em 2021, exatos 59 anos após o primeiro encontro, os americanos decidiram seguir a estrutura nipônica e narram um confronto entre os dois monstros.

E sim, apesar da inversão de nomes, o grande trunfo do filme é adaptar o roteiro original de Shinichi Sekizawa para que o embate funcione dentro de seu Monsterverso. Sinceramente? O roteiro de Eric Pearson e Max Borenstein, apesar de todas as suas falhas e acertos, tem seus méritos.

Se no original, Toda a trama girava em torno de uma empresa de publicidade que queria usar Kong como garoto propaganda de sua marca. Apesar dos embates entre os monstros, havia uma subtrama leve, com algum humor. Como os americanos adoram teorias da conspiração e estão cada vez mais sombrios…

Neste filme, tudo gira em torno das maquinações gananciosas da iniciativa privada. O grande vilão da vez é Walter Simmons (Demián Bichir), o CEO da Apex Cybernetics, que encarna o capitão da indústria capaz de tudo para conquistar seus mais obscuros intentos. Simmons recruta Nathan Lind (Alexander Skarsgård), um cientista obscuro e decadente que sobreviveu a uma tentativa de entrar na Terra Oca e escreveu um livro sobre o lugar sob o pseudônimo de DR. Manhattan para liderar uma expedição que usará Kong como cão guia. Sim, o clássico clichê do cientista desacreditado que sai do ostracismo para o estrelato (ou não) revisitando uma situação traumática.

A grande verdade é que essa é a subtrama que mais faz sentido dentro de um filme que gasta tempo de tela demais com um maluco obcecado por teorias da conspiração, outro elemento impregnado no DNA dos filmes americanos. Deu pra sentir que Bernie Hayes (Brian Tyree Henry) era uma espécie de alívio cômico, mas sabe aquela piada que é usada demais e te cansa?

O filme dá alguns tiros no próprio pé. Duvida?

Usar um o personagem que ninguém se importa para dar muitas das explicações necessárias para que a história ande, entre elas, a explicação de que o Mechagodzilla usa a carcaça do finado Ghidorah, conhecido pelos poderes telepáticos, para fechar uma conexão neural entre a monstruosidade mecânica e que seu piloto e não revelar que esse cara é o Ren Serizawa (Shun Oguri), filho do falecido Ishirō Serizawa, que morreu no segundo filme do Godzilla?

Errou feio, errou rude…

Se o filme não ficasse nessa questão Sessão da Tarde em que Bernie. Madison Russell (Millie Bobby Brown), e seu amigo Josh (Julian Dennison) vivem altas e convenientes aventuras que acabam levando nada a lugar nenhum.

Já os monstros do filme aparecem em situações bem pontuais onde vemos por exemplo, que Kong está sendo mantido num habitat na Ilha da Caveira, onde ele está seguro, uma vez que Godzilla supostamente vai atrás de todos os titãs existentes. No Habitat, descobrimos que Kong ganhou uma amiguinha, a Jia, a última nativa Iwi e filha adotiva da especialista em Kong, Ilene Andrews (Rebecca Hall).

É interessante ver que Kong está se humanizando devido ao contato com Jia, enquanto Godzilla, bem… continua o mesmo. Mas quem pagar pra ver esse filme quer ver é rinha de monstros, o que acontece bem pouco e se fosse um filme da Marvel, lembraríamos da famosa regra 178, em que os personagens precisam se confrontar antes de se unir pra resolver um problema chamado Mechagodzilla. E é neste ponto que vemos o quanto os roteiristas americanos são covardes. O filme de 1962, que não tinha toda a tecnologia do de 2021, tentou não só mostrar a porradaria entre os personagens como apesar de devolver os personagens inteiros para viver suas aventuras, deu a entender qual dos dois venceria. Ao inserir um inimigo que só seria vencido pela união dos dois rivais. Por trás de belas cenas, que nos mostravam o quanto os efeitos evoluíram desde o filme anterior, escondeu-se uma história que tomou a decisão covarde de evitar mais embates do que o necessário. Seria medo de que o público perdesse o interesse no perdedor?

Como já deu pra perceber, o filme de 2021 pode não ser o filme que queríamos, mas é possível que seja o que merecemos. O filme se perde no meio de tantas tramas paralelas, algumas que levam para alguns lugares, outras não. Ao que parece, em momentos bem pontuais, os roteiristas lembram que o filme é parte de algo que levou anos pra ser construído e que existiam elementos como o Monarch, que é citado algumas vezes e outros elementos que vem desde Kong: A Ilha da Caveira. Vemos citações a Dra. Emma Russell, mãe de Madison, que morreu em Godzilla: Rei dos Monstros e vemos Mark Russel (Kyle Chandler), que aparecem em alguns momentos do filme.

Talvez ele não agrade quem acompanha as aventuras dos personagens anteriores ao Monsterverse, principalmente os fãs dos filmes do Gojira, mas o filme é esforçado e merece aquele C+ esperto (que é quase um B).

Minha nota? É um seis. Não é o melhor filme do mundo, mas tem qualidades pra passar de ano.

Godzilla VS Kong (2021)

SINOPSE

Em Godzilla vs Kong, duas poderosas forças da natureza vão se enfrentar em uma grande batalha. Enquanto a organização científica secreta Monarch caça, investiga e estuda a origem dos Titãs, uma conspiração tem a intenção de acabar com todas as criaturas, sejam elas ameaçadoras ou não. O mundo sobreviverá ao duelo de monstros? 

29 de abril de 2021 / 1h 54min / 

Ação, Aventura, Ficção científica

Direção: Adam Wingard

Roteiro: Eric Pearson, Max Borenstein

Elenco: Kyle Chandler, Millie Bobby Brown, Alexander Skarsgård

Alexandre D´Assumpção

Segundo o Guia do Mochileiro das Galáxias, Alexandre D’assumpção, ou The Sumpa, é praticamente inofensivo. Apesar de todas as lendas a seu respeito, ele é apenas um professor Nerd, redator, roteirista de quadrinhos e audiovisual que nos anos 80 pediu carona para uma cabine azul e desde então, tem vivido suas aventuras através do espaço/tempo. Para facilitar a viagem, tornou-se mestre Zen na arte de ter um rosto tão comum que todos sempre o cumprimentam imaginando se tratar de outra pessoa; normalmente ele mesmo. Dono de uma péssima memória, ele nunca se lembra de detalhes importantes como rostos, grupos que passou nem dos inimigos que ameaçam sua vida, o que é péssimo quando ele os encontra em becos escuros. Sua toalha é customizada e ostenta a máscara da Iniciativa Gambate, empresa criada por ele para levar a cultura Pop a todos aqueles que dela precisarem, estejam onde estiverem. De tempos em tempos ele reverte a polaridade de sua chave de fenda sônica e leva algum compannion para passeios transmídia, seja em eventos, festivais ou programas de TV. No caso de um avistamento, principalmente se The Sumpa for a personalidade dominante, espere o inesperado e corra para sobreviver.

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