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GIGANT, uma obra grandiosa

GIGANT, uma obra Grandiosa.

O mangá Gigant está em andamento na terra do sol nascente desde 2017, sendo publicado na revista Big Comic Superior da editora Shogakukan, contabilizando (até o momento) 5 volumes lançados no Japão e 3 no Brasil. O material é produzido pelo mangaká Hiroya Oku, autor de Gantz e Inuyashiki, e como em seus trabalhos existe muito nonsense e uma pesada crítica social.

A premissa é bastante básica e gira em torno do colegial Rei Yokoyamada, que sonha em seguir os passos de seu pai, se tronando um cineasta, desejo que tenta realizar com a ajuda de amigos, infelizmente sem sucesso. O fascínio pela cultura pop (do autor e do personagem) é apresentado logo no primeiro quadro, em sua mochila vemos que é fã de Star Wars, Esquadrão Suicida e até de Galaxy Rangers, no quarto encontramos pôsteres de Duro de Matar, Blade Runner, De volta para o futuro e Top Gun só para mencionar alguns.

Além de ser tímido e de priorizar suas atividades audiovisuais aos estudos, Rei mostrasse também apaixonado pela atriz, de filmes eróticos, Papico. Uma paixão sem muita esperança de ser correspondida, contudo, isso muda ao descobrir que a mulher de seus sonhos está agora residindo em seu bairro, através de mensagens de moradores da vizinhança demonstrando o desprezo com o fato.

Certa noite ao andar pelos arredores de sua casa, nosso protagonista avista cartazes difamando sua amada, resolve retirá-los dos muros e conforme completa sua missão encontra sua musa que questiona se ele era o responsável pelos pôsteres, ao negar e informar que os retirou por, além de ser um fã, achar que as mensagens a incomodaria, a moça o abraça de forma terna e aliviada, permitindo até algumas lágrimas, desse encontro inesperado surge uma amizade improvável.

Nesse ponto a história da atriz pornô começa a ser apresentada, conhecemos uma mulher bonita, com traços europeus, claramente uma mestiça, outra fonte de alienação social. Vemos uma mulher insegura e que busca desesperadamente ser amada ou receber algum tipo de aceitação. Seus filmes já não vendem tanto, ela já possui 24 anos, sua família a despreza e a aliena, detestam o seu trabalho, todavia tanto a mãe como seus irmãos são sustentados por ela. Para deixar as coisas ainda piores, Papico vive com seu namorado um homem inseguro e violento, que a agride, pega seu dinheiro e passa as noites jogando pachinko.

A atriz é retratada como uma mulher muito bonita de cabelos curtos, porém o que chama atenção é o tamanho de seus seios, são enormes e desenhados propositadamente desproporcionais sendo maiores que sua cintura e cabeça. Até esse ponto o desenvolvimento do plot é bem tradicional.

Todavia o estranho é tema recorrente do autor.

Essa estranheza aumenta quando nossa heroína tenta ajudar um homem machucado e jogado na sarjeta, claramente espancado, outra temática comum nas obras de Oku, a violência dos jovens contra os idosos e os moradores de rua. O moribundo coloca em seu pulso um aparelho que permite a alteração de seu tamanho, ela pode agora virar uma gigante. Detalhe ao morrer o homem vira um boneco. Ao descobrir sua nova capacidade ocorrem situações inesperadas com o namorado e a volta por cima de seus filmes que agora são estrelados por uma mulher gigante em meio a vários homens.

Oku demonstra que ambos os protagonistas estão desencontrados na vida, ela sem ter ninguém que a aceite ou que veja seu valor e ele ainda inseguro, incerto e inexperiente, a falta que sentem aos poucos acaba sendo completada primeiro com a amizade e posteriormente com amor. Nesse momento há um toque de genialidade, o autor demonstra em suas páginas toda a crueza e juventude do garoto e como a maturidade de Papiko ficou prejudicada pela falta de uma importante presença

masculina, que a respeita, desde a morte de seu pai. A primeira vez que transam, há mais uma carga emocional do que erótica para os dois.

O mangaká deixa claro que a cultura das redes sociais é perniciosa. Demonstra isso através das mensagens pejorativas dos moradores de bairro contra a estrangeira que faz pornô, ou mesmo no fórum do site ETE (Enjoy The End). Esse sítio eletrônico permite que os seus usuários, pessoas claramente desocupadas, nervosas, preconceituosas e irresponsáveis (o público tradicional de muitas redes sociais) escolham qual atrocidade ocorreria, determinando o local e o horário. Assim chuvas de dejetos, pessoas correndo peladas e até seres gigantes destruidores de cidades aparecem do nada, há uma luta absurda entre um monstro gigantesco e uma mulher nua nas travessas de Tóquio, bem ao estilo de filmes Kaiju.

Para não dar mais spoilers o ideal é parar por aqui, a obra é muito interessante e traz um estudo do ambiente humano, observa as relações parentais, amistosas e amorosas. O trabalho de Oku é fenomenal, seu traço é limpo e bem detalhado, com um excelente storytelling, além de inúmeras referências pop, possui cenas de nudez estilizadas que busca mais o desconforto do que o erotismo, ademais vale salientar que a edição da Panini está caprichada numa capa cartonada simples, com miolo de papel Offwhite, material de excelente qualidade que deve ter causado enorme desconforto em muitos leitores vendo os diversos comentários contrários a esse bom material.

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