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Especial O Cavaleiro das Trevas parte 3: O Morcego e o Palhaço

A melhor história de todos os tempos do Homem Morcego não podia deixar de lado o seu maior e mais mortal inimigo. Por esta razão, Frank Miller dedica a terceira edição de “O Cavaleiro das Trevas” ao confronto definitivo entre Batman e o Coringa.

Além deste confronto, há a antecipação de outro que ocorrerá apenas na quarta edição, mas desta vez contra um herói e antigo aliado, o Super-Homem, visto aqui de uma maneira muito diferente de outros autores.

Através dos pensamentos do último Kryptoniano, sabemos um pouco mais do que houve no passado, com o governo perseguiu e proibiu a atuação dos super-humanos. O Super-Homem, assim como outros, fez um acordo, “invisibilidade” e obediência em troca da autorização para continuar agindo.

Até mesmo as emissoras de TV não têm autorização para mencionar o seu nome, embora ele seja usado como arma na guerra que os Estados Unidos trava contra a União Soviética em um conflito envolvendo o fictício país de Corto Maltese, colocando as duas nações às portas de uma guerra nuclear.

Se para retratar Gotham, Miller se inspirou na Nova York ultraviolenta da década de 80, com seu grave problema com as gangues, no cenário internacional, o muro de Berlim ainda não havia caído (1989) e a União Soviética ainda não havia sido dissolvida (1991), portanto, os soviéticos ainda eram os inimigos preferidos da América.

Nas palavras do presidente Reagan: “Deus está do nosso lado, ou pelo menos alguém quase tão bom”.

A pedido de Reagan, que segue sendo retratado como um abobalhado, o Super-Homem vai até Gotham para dar uma advertência a Wayne; caso ele persista com suas atividades como vigilante, ele terá que intervir e prendê-lo.

A arte da página onde Super-Homem conversa com Wayne é um primor, a escuridão de Gotham dá lugar a um local ensolarado, com Clark em primeiro plano, quase como uma divindade grega.

Após conversarem e Wayne insinuar que resistirá a prisão e que está disposto a lutar, o Super-Homem parte para enfrentar as tropas soviéticas.

Voltamos então para a trama principal desta edição.

O Coringa, que saiu de um coma de dez anos após saber do retorno do Homem Morcego, é chamado para um programa de entrevistas, acompanhado de seu psiquiatra, Bartholomew Wolper, que insiste em aponta-lo como apenas uma vítima da psicose do Batman, que por sua vez seria um reprimido sexual.

Naturalmente a entrevista termina em um massacre, com o Coringa utilizando o seu gás do riso para matar todos os presentes, incluindo a plateia e o bom doutor Wolper, para logo depois fugir mais uma vez.

Batman não consegue impedir o massacre ou a fuga porque se vê obrigado a enfrentar a comissária Yindel e vários policiais, que já esperavam pela sua intervenção.

Em seu auge, o morcego não teria dificuldade em superar os policiais e impedir o Coringa, mas, ele está velho e cansado, seu corpo já não reage como antes, fato repetido inúmeras vezes pelo herói. Mais uma vez ele acaba sendo salvo pela nova Robin, cuja presença irá motivar a Comissária a colocar “risco de vida infantil” entre as acusações. O que, aliás, vamos combinar, faz todo sentido, levar um menor de idade para enfrentar psicopatas armados não é exatamente uma atitude das mais corretas, não é mesmo?

Fato é que o massacre ocorrido no programa de entrevistas faz com que o Batman determine que irá impedir de uma vez por todas o Coringa.

A última luta entre ambos ocorre em parque de diversões, e a mudança radical de atitude do Batman fica clara quando o Coringa pega uma jovem como refém, apontando uma arma para sua cabeça: “Não, Coringa, está fazendo o jogo errado, o velho esquema, hoje você não fará reféns, hoje eu não vou fazer prisioneiros”.

Após este pensamento, o herói lança quatro lâminas, todas cravadas no vilão, e uma delas em seu olho esquerdo, o cegando parcialmente.

Esta é uma questão que sempre foi levantada pelos leitores: Não seria melhor o Batman simplesmente matar o Coringa, ao invés de devolve-lo para o Asilo Arkham, de onde ele certamente irá escapar e fazer novas vítimas? Não seria o Batman moralmente responsável por cada nova vítima do Coringa, por se recusar a matá-lo?

Em Cavaleiro das Trevas, Bruce Wayne carrega essa culpa: “Pretendo contas os mortos, um a um. Vou por todos na lista, Coringa. A lista das pessoas que eu assassinei por ter deixado você viver”.

Mais uma vez, assim como na primeira edição com o Duas Caras, Miller mostra uma visão onde determinados criminosos são irrecuperáveis, mas o escritor não permite que o Homem Morcego rompa o seu juramento e finalmente mate seu inimigo.

No confronto brutal que encerra a edição, o herói quebra o pescoço do Coringa, deixando-o paralítico. É o próprio vilão que ao se contorcer, parte de vez a medula, se matando.

Antes de morrer ele se diz desapontado pela falta de coragem do Morcego, ele queria que o Batman cruzasse essa linha, e ele gargalha insanamente, porque ouve sirenes de polícia, e sabe que todos acharão que ele agora é um assassino.

Encerra na Parte 4: O Morcego e o Kryptoniano

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