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Especial O Cavaleiro das Trevas # 4

Parte Final: O Morcego e o Kryptoniano

Neste episódio, Batman e Superman finalmente se enfrentam.

Nos três primeiros capítulos de “O Cavaleiro das Trevas”, Batman derrotou o líder da gangue dos mutantes, retomou a cidade e tornou-se em um símbolo de resistência contra o crime que assolava Gotham City, além disso, no último confronto contra seu maior mortal inimigo, o Coringa, viu o Palhaço do Crime gargalhar pela última vez antes de morrer.

Será que precisamos de um Batman?

Enquanto a opinião pública ainda debate sobre a legalidade ou eficiência dos métodos do Homem-Morcego, fica claro que o governo dos Estados Unidos não tolerará as atividades do vigilante de Gotham, e que o confronto contra o Homem de Aço é inevitável.

Antes dos eventos cataclísmicos de Crise nas Infinitas Terras (1986), Batman e Super-Homem eram, além de aliados no combate ao crime, amigos. Frank Miller não os enxergava dessa forma, e de fato, após Crise, com a reformulação dos heróis, devido à diferença de seus métodos e percepção da realidade, ambos passaram a se respeitar, mas seguiram caminhos opostos.

Batman é o vigilante sem poderes que atua durante a noite, em uma cidade de aparência gótica e sombria, incutindo o terror na mente dos criminosos; já o Super-Homem é um dos heróis mais poderosos do universo DC Comics, vinculado muito mais à luz do dia (basta lembrar que a origem de seus poderes está ligada ao nosso Sol), atuando a maior parte do tempo em Metrópolis, uma cidade moderna com seus arranha-céus cintilantes.

Reagan faz besteira e cria um inverno nuclear.

Em seus primórdios, o Super-Homem foi criado para defender a verdade, a justiça, e o modo de vida americano, e é justamente essa última parte que Miller utilizará como catalizador para o confronto entre os heróis.

Durante toda a história, cresceu a tensão entre Estados Unidos e União Soviética no conflito que ocorria no pequeno país de Corto Maltese, finalmente levando ao uso da força militar.

Como dito anteriormente, para se manter dentro da legalidade, o Super-Homem aceitou se manter “invisível” ao mesmo tempo em que obedecia às ordens da Casa Branca, o que, evidentemente, incluía se envolver em conflitos militares onde as forças armadas convencionais não fossem o suficiente.

É claro que a presença do Homem de Aço ao lado dos norte-americanos, altera drasticamente o equilíbrio de forças entre as duas grandes potências, fazendo com que a União Soviética saia derrotada.

Eis aqui o pronunciamento do presidente Reagan após a derrota dos soviéticos em Corto Maltese: “Bom, pessoal, eu tenho boas e más notícias, as boas são que os soviéticos retiraram suas tropas da ilha de Corto Maltese. As más são que, bem, parece que os soviéticos são péssimos perdedores”.

A resposta soviética para a derrota foi o lançamento de um míssil com o poder de destruição equivalente ao de várias ogivas nucleares contra Corto Maltese, míssil que, caso atingisse o alvo, causaria a morte instantânea de vinte milhões de pessoas, algo que, evidentemente, o Super-Homem não poderia permitir.

Superman entra em cena.

Para evitar a tragédia, o Super-Homem intercepta o míssil e altera sua trajetória, mas é atingido pela sua detonação. Mesmo para alguém como o Super-Homem, o poder devastador de uma explosão nuclear pode ser fatal, e é aqui, que vemos o início do renascimento do herói.

A última parte de “O Cavaleiro das Trevas” não traz apenas o confronto entre Batman e Super-Homem, mas a morte e o renascimento de ambos.

Próximo da morte, transformado em pouco mais do que pele e osso, o Homem de Aço cai e toca o solo, tomando consciência de seu amor, não por uma única nação, mas por todo o planeta: “eu sempre a amei, embora tenha vindo de outra galáxia, sempre servi aos seus desígnios. O mesmo poder, a energia do Sol, alimenta a nós dois. A senhora a guarda, a armazena aqui, eu suplico, em nome de um planeta moribundo, libere essa energia. Mãe, a senhora é tão generosa, me ofereceu sua linda floresta, eu juro, este filho adotivo honrará seu nome”.

Enquanto isso, o pulso eletromagnético gerado pela detonação do “Arauto do Inverno”, nome dado ao míssil dos soviéticos, gerou um apagão nos Estados Unidos e ergueu milhões de toneladas de fuligem na atmosfera, bloqueando o Sol e gerando uma noite que duraria por vários dias.

Em Gotham, explode a violência e começam os saques, obrigando o Homem-Morcego a reunir diversos seguidores e cavalgar (sim, com todos os veículos paralisados pelo pulso eletromagnético, o Homem-Morcego literalmente monta em um cavalo para comandar suas “tropas”) para reestabelecer a ordem.

A morte de Batman.

Enquanto alguns se aproveitam do caos, outros tentam ajudar e conter o incêndio que se alastra pela cidade. Um engravatado não se importa com o fogo, “fogo é coisa de bombeiro, é para isso que eu pago imposto”, atira em um negro porque achou que ele tinha uma faca, saqueia estabelecimentos.

Um jovem visto com preconceito por um padre antes do apagão, ajuda a trazer suprimentos e a cuidar dos queimados, incluindo o próprio padre, salvo por ele. Miller está nos dizendo que não são as roupas ou o dinheiro que fazem de alguém melhor ou pior, mas suas ações.

Após estes eventos, a influência e a visibilidade do Batman tornam-se tão grandes que o presidente finalmente envia o Super-Homem para confrontá-lo.

Mesmo enfraquecido pelas explosões, o Homem de Aço é infinitamente mais forte e ágil do que o Batman. Há, no entanto, um outro fator, o Homem-Morcego já vinha antecipando que cedo ou tarde teria que enfrentar o Kryptoniano, e por anos, se preparou para isso.

Além disso, a explosão nuclear criou uma noite perpétua, mesmo durante o meio dia, as trevas tomam conta de Gotham, e as trevas são o território do morcego.

Contra todas as probabilidades, e utilizando uma armadura, além de kryptonita que foi sintetizada ao custo de milhões e vários anos de pesquisa, o Batman poderia ter conseguido o improvável, matar o Super-Homem, mas logo fica provado que essa não era sua intenção.

Seu objetivo era o renascimento, seu e do Homem de Aço.

Forjando sua morte através de um falso ataque cardíaco, o Homem-Morcego volta para a invisibilidade, enquanto o Homem de Aço, encontra a luz.

A piscadela que Clark Kent dá para Robin, ao ouvir os batimentos cardíacos de Bruce ainda no caixão prova que o Batman conseguiu faze-lo compreender, aliado aos eventos da detonação nuclear que quase o matou, que alguém com seu poder não pode se esconder o obedecer cegamente ao governo, ele é muito maior, é um símbolo, assim como o Morcego, que retorna para as sombras do anonimato.

Batman, o Cavaleiro das Trevas” ocupa com justiça o topo da hierarquia das melhores histórias do Batman, sua publicação mudaria para sempre a forma como o vigilante de Gotham era visto até a metade da década de 80, ainda muito influenciada pela série cômica da década de 60 e por desenhos animados como Superamigos.

Leitura obrigatória, não apenas para os fãs do Batman, mas da nona arte como um todo.

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