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Duro de Matar (1988)

O filme que mudou o gênero de ação

Sim, senhoras e senhores, é hora de falarmos sobre “Duro de Matar”, um dos melhores filmes de ação de todos os tempos, capaz de mudar o gênero, fazendo com que existisse um antes e um depois dele.

Para compreendermos a dimensão deste clássico, precisamos nos lembrar de como eram os filmes de ação na década de 80 e de como eram os seus heróis. Interpretados por atores como Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenneger ou Chuck Norris, eram verdadeiras máquinas de combate, capazes de exterminar exércitos com uma mão nas costas.

Exemplos perfeitos do chamado gênero brucutu são Stallone Cobra, Comando para Matar, Comando Delta, entre tantos outros onde os bandidos caiam feito moscas, diante de homens com habilidades que beiravam o sobre-humano.

É aqui que o destino intervém e “Duro de Matar” começa a se diferenciar.

Antes de chegar até Bruce Willis, o papel de John McClane foi oferecido para praticamente todos os atores famosos que estavam na lista dos “grandes do gênero”, entre eles Clint Eastwood, Stallone, Schwarzenneger, Burt Reynolds, e até Richard Gere foi cogitado, mas, graças ao bom Deus, nenhum deles aceitou.

Há uma boa razão para Willis ser a última opção; se hoje ele é um astro com inúmeros bons filmes em seu curriculum, antes de “Duro de Matar” ele era mais conhecido por seu trabalho na série cômica “A Gata e o Rato” (1985 – 1989), o que, vamos combinar, não era exatamente impressionante.

Para se ter uma ideia de como o estúdio temia ter cometido um erro (reforçado pelo fato de que as pessoas riram ao ver Willis nos trailers de “Duro de Matar”), o rosto do ator foi removido dos cartazes promocionais, deixando apenas a imagem do famoso Nakatomi Plaza, edifício onde se passa praticamente todo o longa (e que na realidade trata-se do Fox Plaza, sede da 20th Century Fox). Apenas depois das primeiras exibições no cinema e da excelente reação do público, é que ele voltou para os cartazes.

A escalação de Willis, foi, no entanto, o primeiro grande acerto da produção.

O segundo grande acerto foi a escolha do diretor John McTiernan, que apesar de ter recusado as primeiras ofertas, era o homem perfeito para o trabalho. Ele havia dirigido em 1987 o filme Predador e mostrado que sabia o que era preciso para prender a atenção do público.

McTiernan exigiu que alterações fossem feitas no roteiro, primeiro mudando os vilões, que deixaram de ser terroristas e se tornaram ladrões que estavam atrás de milhões em ações protegidas dentro de um cofre praticamente impenetrável. Além disso, fez com que o roteirista Jeb Stuart fosse substituído por Steven E. de Souza, pois queria mais humor misturado à ação, coisa que Stuart não estava conseguindo entregar.

Em menos de cinco minutos de filme você já percebia que o protagonista de “Duro de Matar” era diferente daqueles com os quais estávamos acostumados. Ele não é um boina verde ou um agente super treinado, é um policial de Nova York, com medo de voar e que veio para Los Angeles tentando salvar o seu casamento que não ia nada bem, carregando um imenso urso de pelúcia.

Sua esposa, Holly Gennero (Bonnie Bedelia), se mudou para Los Angeles para trabalhar em uma grande empresa, localizada no Nakatomi Plaza e comandada pelo Senhor Takagi (James Shigeta). McClane a encontra durante a festa de Natal que a empresa está dando para os funcionários, mas tudo sai do controle quando um grupo muito bem armado toma o controle do Nakatomi e transforma todos os presentes na festa em reféns.

Este grupo é liderado por Hans Gruber, interpretado pelo então estreante Alan Rickman (o Severo Snape da Saga Harry Potter). Rickman é o terceiro grande acerto de “Duro de Matar”. Sua experiência vinha em grande parte do teatro, e seu vilão é um dos melhores já vistos nos filmes de ação, uma mistura de finesse, frieza e maldade que o transforaram no oponente perfeito para McClane.

O cenário ajuda demais também; preso dentro do Nakatomi Plaza, com 12 criminosos armados o caçando, McClane não tem alternativa, ele passa a ser a única esperança dos reféns. Tudo dentro do prédio pode ser utilizado ao seu favor, como o poço do elevador ou os andares em construção.

Apesar de atender o chamado da aventura, McClane não é um lobo solitário que dispensa a ajuda e parte para massacrar os bandidos sozinho, pelo contrário, ele tenta desesperadamente avisar a polícia para que o ajudem, o que ele eventualmente acaba conseguindo, mas se prova inútil graças a incompetência do delegado Dwayne Robinson (Paul Gleason, que interpretou o professor em “Clube dos Cinco”) e do Agente Especial Johnson (Robert Davi) que é um especialista em seguir o manual contra terrorismo do FBI e fazer exatamente o que os bandidos querem que ele faça.

Aliás, o FBI precisa tomar cuidado com seus manuais, parece que todo vilão, terrorista ou sequestrador, tem uma cópia dele e sabe exatamente o que os agentes farão em seguida.

Com um roteiro recheado de ação e humor, um protagonista com o qual o público se identifica muito mais do que os musculosos e praticamente infalíveis heróis dos filmes de ação de até então, um cenário que limita as alternativas (o isolado Nakatomi Plaza) e Hans Gruber, um vilão que convence, não é de se admirar que “Duro de Matar” tenha obtido o sucesso que obteve, faturando mais de 140 milhões de dólares, catapultando Willis para o estrelato e tornando-se referência.

A influência de “Duro de Matar” pode ser medida pela quantidade de cópias que surgiram depois, apenas trocando o cenário, que deixa de ser um prédio e passa a ser a Casa Branca (Invasão à Casa Branca), um navio (Força em Alerta), um avião (Passageiro 57), outro avião (Força Aérea Um), e assim por diante.

“Duro de Matar” também teve sequências, e embora o segundo filme tenha conseguido mantar o nível, as demais despencam em qualidade, sendo que em Duro de Matar 4.0 (2007) e Duro de Matar – Um Bom Dia Para Morrer (2013), a sensação é que eles retiraram de McClane justamente aquilo que nos atraiu no primeiro longa, transformando-o em uma espécie de super policial que enfrenta e derruba helicópteros e caças.

Deixem isso para John Rambo, McClane é bem mais pé no chão, mesmo que tenha que correr sobre vidro estilhaçado e sangrar até não poder mais.

Yippee ki yay, malditos roteiristas!!!!

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