Quer mais este assunto nerd? Nos visite diariamente.

COWABUNGA, DUDE!

A História das Tartarugas Ninja

Uma noite de bebedeira e brincadeira entre amigos rendeu um dos grupos mais conhecidos e amados dos quadrinhos, as Tartarugas Ninja, no original Teenage Mutant Ninja Turtles, ou apenas TNMT. Uma das obras que mais influenciaram a cultura pop dos anos 80 até hoje, de autoria de Kevin Eastman e Peter Laird, com a primeira edição lançada em 1984.

Na referida noitada Eastman rabiscou uma tartaruga de pé, com máscara e nunchakus a batizando como tartaruga ninja, aumentando a ideia os dois criaram um grupo formado por quatro répteis, os colocaram em poses de ação e criaram um nome que fazia referência a tudo que gostavam na época Tartarugas Ninja Mutantes Adolescentes, inspirados na ninjamania dos anos 80, bem como nos títulos mais influentes das grandes editoras New Teen Titans, da DC e New Mutants (ou X-Men, se preferir), da Marvel.

Os simpáticos quelônios não eram tão alegres em seu início, eram bem violentos e já inciam a história lutando de forma sangrenta contra uma gangue, sumindo nos bueiros da cidade e posteriormente se encontrando com seu mestre, o rato Splinter, que revela a origem e os nomes da equipe, todos inspirados em artistas renascentistas, o líder é Leonardo, portador de duas espadas (Katanas); o engraçado Michelangelo, usuário de Nunchaku; o briguento e esquentado Rafael, com um par de Sai; e por último o gênio tecnológico Donatello, que empunha um bastão (BO), essas características não ficam claras nesse início, a diferenciação fica a cargo mais de suas armas que de suas personalidades.

[padding left=”5%” right=”5%”]

A arte é muito detalhada com um ótimo aproveitamento de luz e sombras, demonstra um enorme respeito a mestres da nona arte como Frank Miller e Jack Kirby, a inspiração é tanta que os autores apropriam-se da origem do Demolidor para a criação do quarteto. A dupla de criadores abusa nas referências tentam de forma clara fazer homenagem a seus ídolos e a tudo que consumiam na época seja durante as cenas de luta bem estilizadas que lembram a arte energética e dinâmica de Miller, pela narrativa e recursos de splash pages de Kirby, fazendo homenagem a seres antropomórficos como Cerebus de Dave Sim ou valendo-se do conceito de mutantes da Marvel.

A primeira edição foi possível devido alguns trocados e um empréstimo do tio de Eastman, durante cinco meses a arte, o texto e todo o trabalho editorial foi realizado dando origem a uma HQ com uma tiragem de 3 mil exemplares, a história foi concebida como sendo one shot, ou seja, não era para ter continuação. Contudo, por falta de conhecimento sobre editoração, a revista foi impressa num formato diferenciado, maior do que o tradicional, o que trouxe destaque nas prateleiras das comic shops, levando ao esgotamento desses exemplares em pouco tempo, o que demandou novas reimpressões e possibilitou o surgimento de uma série contínua.

Em pouco tempo Eastman e Laird começaram a trabalhar exclusivamente com sua maior paixão (Quadrinhos é claro), e o chamado Mirage Studios, que era apenas a sala de estar de Peter, acabou virando um local de trabalho de verdade e com tempo trouxe novos artistas que começaram a ajudar a dupla. Na segunda edição surge April O´Neil, não como a intrépida repórter que conhecemos, mas como a assistente de laboratório de Baxter Stockman, criador da ameça subterrânea chamada de caça ratos (Mousers, no original) ela conhece o quarteto e seu mestre ao ser resgatada da morte certa, para evitar spoilers não vamos informar quem a perseguia e a razão.

A obra fez tanto sucesso que acabou sendo levada para a telinha, tendo uma linha de brinquedos bem sucedida, originou em 1990 um filme live action, assim como o desenvolvimento de jogos de videogame, ainda mais quadrinhos e uma infinidade de objetos colecionáveis que faziam a cabeça das crianças na época e eram o terror para o bolso dos pais.

É a terceira vez que parte dessas histórias são publicadas no Brasil, durante os anos 90 a editora Nova Sampa lançou uma versão colorida, anos depois foi a vez da Devir lançar em formato reduzido e sem cor conforme o original, trazendo material ainda inédito, contudo não teve continuação.

A edição atual lançada pela Pipoca e Nanquim é de encher os olhos, baseada na coleção da editora norte-americana IDW, batizada lá fora de Ultimate Collection.  Nos States foram 7 encadernados, desses 6 contém o material desenvolvido pelos criadores e um de extras, são exatamente essas edições com as primeiras histórias que a PN trará para o Brasil, ao todo 6, a primeira lançada em maio e a segunda prometida para novembro deste ano. A edição é acompanhada das notas dos dois autores, nela eles especificam como foram suas impressões e sobre o processo de criação, quais as referências utilizadas e outras curiosidades, ainda faz parte dessa maravilhosa edição as capas originais coloridas e alguns esboços.

O formato é 22 X31 cm (maior do que o tradicional formato americano de 17 X 26 cm), papel off set de 90 gramas e capa dura, são 324 páginas de puro deleite, com material nunca publicado por aqui e compilando as primeiras 7 edições e um especial do Rafael. Uma edição caprichada para ninguém botar defeito, exatamente como todo o material que é produzido pelo pessoal do Pipoca e Nanquim, edição imperdível para os amantes do grupo.

você pode gostar também