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Coringa, Advogado do Diabo: O dia em que o Batman salvou o Coringa

O Coringa vai parar no corredor da morte por um crime que não cometeu.

O Coringa quase morreu para satisfazer seu ego.

Coringa, Advogado do Diabo: O dia em que o Batman salvou o Coringa

Esta história foi publicada no século passado, então, sim, tem spoiler.

Não há muito espaço para discussão quando se pergunta quem é o maior inimigo do Homem Morcego, salvo um ou outro maluco, a maioria apontará o Coringa como detentor deste posto.

O Príncipe Palhaço do Crime já cometeu inúmeras atrocidades, e vou aqui citar suas próprias palavras ditas para a promotora na história sobre a qual falaremos hoje:

“Assassinato em massa, tortura e terror! Eu já fiz de tudo, moça! Você está olhando para o Einstein do crime!”

Centenas de pessoas já morreram nas mãos do Coringa, e todas as vezes em que o Batman o prende e o devolve para o “Asilo Arkham”, supostamente uma instituição de segurança máxima, ele volta a escapar e faz novas vítimas.

A pergunta que surge de forma inevitável: “Por que o Batman não mata o maldito e poupa Gotham City de novas tragédias”?

Para responder a essa questão, vou recorrer a um trecho do livro “Batman e a Filosofia”, uma coletânea de textos que fala sobre as ações do herói do ponto de vista filosófico:

“O mais importante deontologista ético é Immanuel Kant (1724 – 1804), que afirmou que os deveres mais importantes devem ser universais e categóricos. Categórico significa sem exceção – em outras palavras, eu não posso escolher um dever e depois pensar em casos nos quais ele não se aplique, nem escolher não o aplicar em determinadas situações”

Batman não mata, ponto. Ele protege a vida, e não abrirá mão desse dever, não importa o que aconteça.

Chegamos então em “Batman – Advogado do Diabo”, que apesar do nome, nada tem a ver com o filme estrelado por Al Pacino. Publicada em 1996, escrita por Chuck Dixon e ilustrada por Graham Nolan, narra a prisão do Coringa e sua posterior condenação à cadeira elétrica pelo assassinato de pessoas utilizando selos envenenados.

Normalmente, assim que o Coringa é preso, imediatamente seus advogados de defesa (ou pelo menos aqueles que não são assassinados pelo vilão) entram com uma alegação de insanidade, algo que, convenhamos, não é muito difícil de se provar, já que o sujeito anda por aí assassinando pessoas sem qualquer razão aparente enquanto gargalha sem parar.

O Juiz acata a alegação e a passagem de volta ao Arkham está carimbada.

Dessa vez, no entanto, o vilão tem em seu caminho a Assistente de Promotoria Fran Beaudreau, que decide lutar pela condenação e aplicação da pena de morte, o que ela acaba conseguindo.

Fim de jogo, certo? O Batman não mata, mas acata o que a lei decide, logo, o Coringa vai fritar.

Não, lógico que não.

O Batman, observando o comportamento do Coringa durante o julgamento e conversando com ele (invadindo a cela onde ele está, sério, qualquer um entre e sai do Arkham a hora que quer, é mais seguro manter os psicopatas em prisão domiciliar), chega à conclusão de que o vilão não é culpado das acusações, e irá morrer “injustamente”.

Veja que eu coloquei injustamente entre aspas, porque justiça e lei são coisas diferentes, e como o próprio Comissário Gordon diz para o Morcego:

“Você sempre defendeu mais a justiça do que a lei. Que ironia, ele mereceu a sentença de morte mil vezes e quando a recebeu, foi por um crime que não cometeu”

Sim, o Coringa não matou nove pessoas, matou novecentas ou mais, e tanto o Comissário quanto o Batman já viram pessoas queridas serem vítimas de sua crueldade, com a morte do segundo Robin, Jason Todd (Morte em Família) e o tiro que deixou Bárbara Gordon paraplégica (A Piada Mortal).

Vale destacar que o Comissário, Bárbara, os policiais, a esmagadora maioria da população de Gotham e o próprio Coringa, querem que a sentença de morte seja cumprida.

Sim, ao ver o enorme interesse da mídia pela sua condenação, o Coringa se encanta com os holofotes e pede para seu advogado não recorrer da decisão (pois é, nós já tínhamos concordado que ele é maluco).

Vejam só vocês, até o Coringa queria morrer, mas o Morcego luta com todas as forças para provar que ele é inocente e salvá-lo.

Voltamos a Kant e ao dever universal e categórico, e poderíamos dizer que o herói está seguindo o código moral que sempre seguiu, ainda assim, acredito firmemente que pouquíssimos leitores tenham ficado ao lado do Morcego em sua cruzada, até porque, a história se esforça muito pouco nessa direção.

A premissa que é bastante interessante e que poderia questionar os valores que movem o Morcego, talvez até mesmo a sua sanidade, é pouco desenvolvida pelo roteiro de Dixon.

“Coringa – Advogado do Diabo” não é ruim, assim como em muitos filmes, que são carregados por um ator interpretando um determinado personagem, aqui, o Coringa tem seus “bons” momentos, parte deles devido ao fato dele estar pela primeira vez em uma prisão comum, com presos dispostos a intimidá-lo.

Descobrimos que o Coringa não é um grande fã de gaitas e não gosta de pedir desculpas.

A arte de Graham é ok, não compromete, mas também não chama atenção.

No geral, é uma história interessante, que pode facilmente te deixar muito puto com o Batman, mas que poderia ser mais bem trabalhada, ficando longe de ser excepcional.

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