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Colecionismo, esse caro prazer

Um colecionador e sua história de perdas e recuperações.

Marcelo Pacheco fala sobre o prazer de colecionar.

Colecionar.

Sou colecionador de HQs (HQs = histórias em quadrinhos, as populares revistinhas ou gibis) principalmente de super-heróis desde janeiro de 1989. Comecei comprando “Superamigos # 44” e “Os novos Titãs # 28” em uma banca perto de casa. Não que nunca tenha tentado colecionar antes, mas quando criança meu pai comprava revistas da Turma da Mônica e da Disney e algumas de super-heróis também. O problema é que prestes a fazer 10 anos de vida, ele deu todas minhas revistas e só voltei a comprar HQs com 15 anos, quando passei a economizar o dinheiro do lanche para ir até a banca comprar minhas ‘revistinhas’ e curtir aquele mundo surreal e colorido.

Terminei o colegial (hoje ensino médio), comecei a primeira faculdade, saí. Comecei a namorar minha primeira esposa, que no começo não entendia minha paixão pelos quadrinhos, mas com o tempo entendeu e aceitou como algo positivo na minha vida. Enfrentei meu pai, que falou em queimar minhas revistas e assim as levei para guardar na casa de um amigo. Fiz a segunda faculdade (agora até o fim), entrei na Caixa, casei e minha coleção só aumentando. Quando casei pude finalmente pegar minhas revistas de volta.

Apesar das dificuldades financeiras, pude manter e ampliar minha coleção. As revistas que saíam pela Abril passaram a sair pela Panini. Antes publicadas em formatinho (13 cm x 21 cm), passaram a ser publicadas em formato americano (17 cm x 26 cm), com acabamento melhor e, portanto, mais caras. Em poucos anos precisei vender minha coleção, por morar em uma casa muito menor e por problemas financeiros, mas logo no mês seguinte reiniciei minha coleção, comprando o que saía em bancas e livrarias, mais o que achava em sebos. Minha coleção ficou maior do que antes, mesmo faltando números antigos que não consegui recuperar.

Em 2016 nova crise, vendi cerca de 4000 edições (dessa vez estava em uma casa maior, o problema foi, adivinhem … financeiro). Na época era cerca de metade de tudo o que eu tinha. O desânimo bateu, porque imaginei nunca mais recuperar o que fora perdido. Desta vez demorei três meses para voltar a comprar, mas felizmente pude voltar ao ritmo normal de compras em bancas e livrarias. Quanto ao sebo, passei a comprar esporadicamente (já recuperei algumas, muito menos do que gostaria). Hoje tenho cerca de 7500 edições em minha coleção, que vão do popular formatinho da Abril até edições de luxo, volumosas, de capa dura.

Por problemas pessoais li muito pouco em 2018 e acabei com mais de 450 revistas em atraso, mas tenho recuperado, hoje são apenas (!) 210. Hoje, minha segunda esposa aceita essa minha forma de entretenimento, embora considere exagerada.

É um divertimento caro? Hoje em dia é, mas é um prazer que tenho de folhear meu material e me divertir com aquele mundo tão colorido e com temáticas mais atuais, embora usadas em um contexto de ficção. Espero que meu(s) filho(s) [ou filha(s) — aliás, antes de tudo espero ser pai] herde o gosto pela leitura, não só das revistas, como também dos livros.

 

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