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Cine Marrocos (2021)

Um filme sobre uma ocupação?

Sim, Cine Marrocos fala sobre o grupo que ocupou o clássico cinema Paulista. Não vamos levantar se invasão de propriedade pública é certo ou se é errado. Não somos o Cidade Alerta, nossa intenção é entreter as massas.

O Cine Marrocos segue a linha de cinemas do país inteiro que foram criados no auge da sétima arte para tornar a imersão mais agradável, criando uma aura de glamour capaz de fazer com quem todos que passassem por aquelas portas se imaginassem num mundo de beleza, imaginação e fantasia.

Um dia a fantasia acabou, o prédio ficou abandonado e sofreu do mesmo mal que todos os imóveis urbanos nesse estado sofrem; a ocupação. Um grupo de sem-teto decidiu transformá-lo em seu novo lar, um lugar ilegal e apesar de o despejo ser iminente, eles resistiram como todas as suas forças e ainda tiveram tempo para deixar seu lado lírico fluir.

E esse é o grande barato da coisa toda.

Além de exibir para os ocupantes alguns dos filmes famosos que estiveram em cartaz ali 60 anos antes, como A Grande Ilusão (1937), de Jean Renoir, e Noites de Circo (1953), de Ingmar Bergman, a equipe capitaneada por Ricardo Calil resolveu unir o passado ao presente ao criar uma pequena oficina que preparou os ocupantes do antigo cinema para interpretar algumas cenas destes filmes.

É interessante ver como um grupo tão díspar consegue criar algo tão belo. Estamos falando de refugiados africanos e imigrantes latino-americanos e outros tipos de sem-teto, alguns deles sequer falam português, vivendo a experiência de se tornar personagens daqueles filmes. E a montagem que os coloca interagindo com os atores originais torna a brincadeira ainda mais interessante.

Apesar de todo o lirismo, o filme não assume lados e alterna as imagens dos ocupantes com inserções de telejornais que não vão tornando o despejo deles cada vez mais iminente, ainda levantam questões como o suposto envolvimento de alguns dos moradores com o PCC, lembrando que onde há luz, também há sombras.

O grande truque é que essa informação que surge e é negada por um dos personagens, acaba sendo inserida sutilmente, o que não quebra a fantasia. Quando o inevitável acontece, já estávamos tão envolvidos com os personagens, seus sonhos e seus dilemas que acabamos sentindo pena dos ocupantes que acabaram não tendo outra chance além de deixar tudo pra trás e seguir em direção a um futuro incerto.

Assista sem preconceito. Este não é um filme sobre uma ocupação, mas sobre o eu lírico desses ocupantes.

Cine Marrocos (2021)

SINOPSE

Não recomendado para menores de 12 anos

Em Cine Marrocos, acompanhamos a história de sem-tetos, refugiados africanos e imigrantes latino-americanos que ocuparam o prédio de um antigo cinema do centro de São Paulo e o processo artístico que os transformou em estrelas de cinema.

3 de junho de 2021 / 1h 16min / Documentário

Direção: Ricardo Calil

Roteiro Ricardo Calil

Elenco: Ricardo Calil, Ivo Müller, Georgina Castro

Alexandre D´Assumpção

Segundo o Guia do Mochileiro das Galáxias, Alexandre D’assumpção, ou The Sumpa, é praticamente inofensivo. Apesar de todas as lendas a seu respeito, ele é apenas um professor Nerd, redator, roteirista de quadrinhos e audiovisual que nos anos 80 pediu carona para uma cabine azul e desde então, tem vivido suas aventuras através do espaço/tempo. Para facilitar a viagem, tornou-se mestre Zen na arte de ter um rosto tão comum que todos sempre o cumprimentam imaginando se tratar de outra pessoa; normalmente ele mesmo. Dono de uma péssima memória, ele nunca se lembra de detalhes importantes como rostos, grupos que passou nem dos inimigos que ameaçam sua vida, o que é péssimo quando ele os encontra em becos escuros. Sua toalha é customizada e ostenta a máscara da Iniciativa Gambate, empresa criada por ele para levar a cultura Pop a todos aqueles que dela precisarem, estejam onde estiverem. De tempos em tempos ele reverte a polaridade de sua chave de fenda sônica e leva algum compannion para passeios transmídia, seja em eventos, festivais ou programas de TV. No caso de um avistamento, principalmente se The Sumpa for a personalidade dominante, espere o inesperado e corra para sobreviver.

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