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Carnificina (nunca) Absoluta

A história dos simbiontes da Marvel.

Carnificina Absoluta e a evolução das histórias dos simbiontes.

É inegável afirmar que a década de 80 foi excepcional para o quadrinho americano, antes visto como diversão infantil, ele alcançou o status de arte, nos anos 80 algumas das obras mais importantes foram lançadas. Alan Moore e Frank Miller transformaram uma arte efêmera em obras com qualidade inegável, questionavam o mundo real e criavam conceitos arrojados que aos poucos foram incorporados em muitas das séries regulares.

A década seguinte começou ainda colhendo alguns desses frutos, tivemos muitas obras de qualidade, no entanto, esses anos foram mais marcados pelos inúmeros crossovers, anatomias insustentáveis, homens gigantes com armas também enormes usando roupas que possuíam bolsos excessivos, sem contar nas gigantescas sagas que envolviam quase todas as revistas mensais (prática bem comum até hoje).

Venon no traço de Todd McFarlane

Foi entre essas duas décadas que surge um dos mais interessantes e enigmáticos vilões do nosso amigão da vizinhança, o ser linguarudo e bocudo chamado de Venom, sua primeira aparição de corpo inteiro ocorre em 1988, na edição 300 da revista Amazing Spiderman. O antagonista do aranha é fruto de duas importantes sagas, o simbionte apareceu em guerras secretas (no oitavo número) sendo posteriormente aproveitado, como o uniforme negro, nas revistas do teioso (nelas descobrimos que seu traje era um ser simbionte alienígena). Eddie Brock não aparece, mas, é cria direta do arco a morte de Jean deWolff, ao cair em desgraça por publicar notícias falsas, culpando o cabeça de teia por seus infortúnios.

O visual ameaçador de Venom (grande como o Hulk, com dentes gigantescos e uma enorme língua, além de ser inteiro preto com detalhes em branco) conquistou a atenção dos aracnofãs, logo o vilão apareceu em novos confrontos com o cabeça de teia e com outros heróis do universo Marvel. Contudo, não apenas a sua aparência como seu comportamento (era detentor de um deturpado código de honra, considerava as pessoas “de bem” a sua volta como inocentes que deveriam ser protegidos, o único vilão verdadeiro seria o teioso) alçaram-no ao status de anti-herói, assim a casa das ideias lança um novo simbionte chamado de Carnificina, seu hospedeiro é Cletus Kassady, um assassino serial que possuía mais força do que Venom e do Homem-Aranha juntos e que não tinha nenhum senso de justiça ou moral. A popularidade desse novo inimigo foi tanta que uma megassaga girou ao seu redor, sendo batizada de Carnificina Máxima.

Aranha, Carnificina e Venon no Traço de Mark Bagley.

A onda dos simbiontes, nos anos 90, foi tamanha que várias minisséries foram lançadas mudando a forma de Venom agir de acordo com o interesse da história, isso levou a decisões desinteressantes como a fusão do simbionte com a ex-esposa de Brock, o surgimento de novos hospedeiros e um planeta de seres como ele, tudo isso foi descaracterizando o personagem, fazendo com que o interesse em relação a ele diminuísse. A prova da perda da popularidade é a mudança de hospedeiro, o poderoso ser se funde a Mac Gargan, também conhecido como o vilão escorpião, na década seguinte surge o agente Venom, nome usado pelo ex-militar e amigo de infância de Peter Parker, Flash Thompson que trabalhou para o governo, os Vingadores, os Thunderbolts e até dos Guardiões da Galáxia. Já Carnificina foi apenas um coadjuvante a ser, aparentemente, morto pelo Sentinela, logo no começo da fase do Novos Vingadores de Bendis.

Os personagens apareceram em diferentes mídias, com certo sucesso, de videogames até séries animadas, todavia Venom teve uma pequena participação no último capítulo da trilogia de Sam Raimi que é até hoje execrada pelos fãs mais ardorosos. Felizmente o personagem teve nova chance na telona, sendo interpretado por Tom Hardy, o filme que teve uma má recepção pela crítica agradou alguns fãs, gerando uma boa bilheteria, que garantiu continuação com o direito a aparição de Carnificina.

Com a aproximação do filme do anti-herói linguarudo a casa das ideias decide “relançar” o personagem, ou seja, trazê-lo de volta a suas origens, novas aparições e remendos forma feitos e nessa esteira o simbionte volta a ser um com Eddie Brock.

Agente Venon.

A atual série escrita por Donny Cates é bem interessante e consegue divertir, ocorre uma mistura de terror, ação e suspense, a trama é bastante dinâmica e fluída, isso também é devido a arte de Ryan Stegman e JP Mayer, com a colorização de Frank Martin, eles dão um ar de terror, abusando dos tons mais escuros e de muito vermelho, em alguns momentos, principalmente ao recontar o passado da criatura temos cores vibrantes e enquadramentos mais desalinhados, dando a sensação de desequilíbrio mental ou alucinação.

Cates resolveu contar sobre a origem dos simbiontes, primeiro ele aborda a existência desses seres alienígenas em nosso meio a muito tempo, até foram usados em combate durante a guerra do Vietnã, Brock encontra Rex Strickland o único sobrevivente desse pelotão. Em meio a novas descobertas surge a ameça de Knull, o Deus simbionte que vem na forma de um Dragão sendo derrotado por Eddie com a ajuda de Milles Morales, com direito ao surgimento de novos poderes de Venom. Em seguida enfrenta outro refugiado do universo Ultimate e descobre que seu irmão mais novo é na realidade seu filho, além de perder a conexão com seu outro eu.

Um dos aspectos mais interessantes dessa obra é abordagem psicológica, aqui o Brock dos quadrinhos lembra um pouco o astro Hardy, estando sempre dialogando com seu outro eu, ou seja, os dois conversam o tempo todo, nesses colóquios é perceptível o elo entre eles e o desconforto em dividir os pensamentos o tempo todo. Donny tenta passar a ideia de enclausuramento mental, criando alguns bons momentos, outro aspecto é o respeito pelo personagem, o escritor respeita ao máximo o que foi feito no passado e como entende ser uma revista de ação abusa das cenas de luta.

Knull, o Deus dos Simbiontes.

No caso de Carnificina, descobrimos que ele não estava morto e sim em uma espécie de coma induzido, ao retornar ao nosso planeta seu outro ser acaba queimando na reentrada o salvando, esse é o ponto de início da série, Kassady é trazido ao mundo dos vivos ao entrar em contato com parte do Deus Simbionte e decide resgatá-lo, mas para isso deve retirar parte da essência de todas as pessoas que já tiveram contato com algum dos simbiontes.

Esse é o momento que começa a série, Cletus está muito mais forte, não possui as fraquezas com fogo ou com o som, está mais sádico e se considerando um Deus, assim ele começa a busca por Eddie Brock, que agora está sem seu simbionte e tem que proteger seu filho, ao mesmo tempo que teme em revelar a verdade a ele. Donny Cattes mostrasse um escritor muito capacitado que entende da história da Marvel e desenvolve uma das séries mais divertidas da atualidade, vale acompanhar a minissérie principal, que possui arte da excelente trupe da série mensal do Venom, é uma boa diversão para escapar da quarentena.

Carnificina na saga Absolute Carnage.
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