Lembra disso?

Capitão Aza, o comandante – chefe das forças armadas infantis

Tem coisas que ficam na lembrança e literalmente implorar pra sair.

Eu ia deixar esse assunto pra mais tarde, mas não deu. Nunca ouvi tanto sobre o personagem e seu programa de TV. Como manda quem pode e obedece quem tem juízo…

Lembra do Capitão Aza?

O nome não lhe é estranho? Não sabe de quem estou falando?

Bem, entre o final dos anos 60 e a segunda metade dos anos 70, conhecemos um importante aeronauta, o comandante – chefe das forças armadas infantis.

Presunçoso? Belicoso? O Brasil estava no auge dos “anos de chumbo” e o Brasil que adora um capitão, comemorava o sucesso do Capitão Furacão, um velho lobo do mar interpretado por Pietro Mário que tinha a pequena Elisângela como auxiliar de palco. Para concorrer com este sucesso, a TV Tupi convocou o ator e policial civil Wilson Vianna, que interpretaria um personagem inspirado num falecido herói da FAB, o capitão aviador Adalberto Azambuja, que durante a segunda guerra mundial ganhou a alcunha de Capitão Aza.

Com isso em mente, Viana foi paramentado com o macacão e um capacete de piloto. No fundo, o que foi uma puxada de saco nas cabeças coroadas da ditadura, acabou sendo uma bola dentro e o comandante – chefe das forças armadas infantis acabou virando um tremendo sucesso entre as crianças e seus pais, principalmente porque boa parte do material do personagem tinha uma base educativa, inclusive suas músicas. Seguindo a fórmula do Capitão Furacão, Aza ganhou a ajudante Martinha.

Juntos, eles ficavam seis horas no ar, que dividiam como animes e séries como Ultraman, Speed Racer, Fanthomas, Ultraseven, Capitão Escarlate, Thunderbirds e tantos outros que marcaram uma geração.

O programa:

Em seus momentos de tela, AZA dava conselhos de educação moral e cívica como estudar, respeitar os mais velhos, compartilhar da amizade, carinho e amor das pessoas e prêmios para as crianças. Nos fins de semanas e em algumas datas especiais, ele fazia passeios com fãs sortudos e ia para colégios onde distribuía quadrinhos, pôsteres e tirava fotos com os alunos.

Além de supermercados como as Casas Sendas e fábricas como Caloi e Garelli, o grande parceiro do programa era o Clube do Bloquinho, criado em parceria com a editora Bloch, que tinha os direitos dos quadrinhos da Marvel, uma parceria conveniente, uma vez que além do Homem-Aranha de 1967, eles também exibiam os famosos desenhos desanimados do Capitão América, Namor, Thor e Hulk. Em contrapartida, as revistas da editora criaram entre 1975 e 1978 uma página que contava as novidades do clube do Capitão Aza.

Durante os anos que esteve a frente do programa Wilson Vianna visitou aproximadamente 100 escolas por ano, mantendo assim estreito contato pessoal com os fãs do programa. Ele desfilava todo 7 de setembro na parada da Av. Presidente Vargas. Um ponto interessante do personagem é que ele sempre exaltava os Pracinhas e os heróis militares, e em suas visitas aos colégios, sempre estava acompanhado por um policial militar, um marinheiro, um bombeiro e um ex-oficial da FEB, levando a sua mensagem de civismo às crianças.

O programa, que durou de 1968 a 1979, acabando um ano antes do fim da TV Tupi, sempre começava com o capitão dizendo a seguinte frase:

“Alô, alô Sumaré! Alô, alô Embratel! Alô, alô Intelsat 4! Alô, alô criançada do meu Brasil!, aqui quem fala é o Capitão Aza, comandante-chefe das forças armadas infantis deste Brasil”.

O programa, que era exibido de segunda a sexta, passou por várias fases. A partir de 1974 passou a ser exibido via satélite para todo o país. No começo, o cenário era bem simples, dentro de um pequeno avião, mas a partir dos anos 1970, ganhou um novo cenário (mais futurista) lembrando uma nave espacial. Em 1974 ganhou mais um cenário. Com o advento da TV em cores o Capitão Aza teve de se adaptar à nova tecnologia e pintou seu capacete, até então branco, na cor abóbora, para ficar talvez mais visível no espaço de seu cenário. Os efeitos eram elaborados pelo técnico visual J. Reis. O horário também passou por alterações. Em seu auge, ele alcançou 4 h, mas perto do final, tinha apenas 1h15 min.

Duas curiosidades:

Em 1975, o Clube do Capitão Aza apresentou a série Batman, com Adam West, pela primeira vez a cores. Também em 1975, foi resgatado o desenho Speed Racer, que tinha sido exibido pela TV Globo carioca em 72/73 e como aquela ainda não era transmitida em rede nacional, não teve tanta repercussão. Quando exibido pela Tupi dentro do programa, o desenho alcançou o sucesso nacional.

Em 1973, o Capitão Aza ganhou uma versão em quadrinhos. Suas aventuras eram publicadas pela editora O Cruzeiro. Após o fim da editora, suas histórias pararam de ser publicadas. Entretanto, em 1976, ele ganhou uma tira de quadrinhos no Diário de Notícias, que foi produzida por Cláudio Almeida (roteiro) e Carlos Chagas (desenhos).

Um ano após o fim do programa, a Rede Tupi saiu do ar, levando consigo não só nosso querido capitão, mas tudo que nossos corações infantis acreditavam que seria pra sempre.

Depois disso, houve uma tentativa de se rodar um filme sobre o personagem mas, por falta de patrocínio, o projeto foi cancelado. Em 1981, estava praticamente certo o seu retorno pela TVS. Com contrato praticamente acertado com Moysés Weltman (diretor da TV na época), Wilson sofreu o seu segundo enfarte.

Aconselhado pelos médicos e seus familiares a não voltar mais à televisão, pois poderia expor-se a mais um infarto, o que poderia ser fatal, o “Capitão” se retirou definitivamente da mídia, preferindo se dedicar ao seu Hotel/Pousada em Penedo (região serrana do Rio de Janeiro), onde recebia velhos amigos como Flávio Cavalcanti, Roberto Carlos e Aérton Perlingeiro entre outros.


Viana ainda voltaria para algumas pontas cinematográficas nos filmes: “Atrapalhando a Suate” de 1983 com Dedé, Mussum e Zacarias e “Os Trapalhões e o Mágico de Oróz” de 1984 com Os Trapalhões e Xuxa . Também participou de alguns capítulos da minissérie “Marquesa de Santos” em 1983 na Rede Manchete. Em 1985 teve na Rádio Bandeirantes AM do Rio de Janeiro um programa de entrevistas ás segundas feiras sempre ás 22 horas recebendo grandes nomes do cinema, televisão e teatro. Entre os que estiveram no programa “Mesa de Celebridades” destacam-se Jô Soares, Tibério Gaspar, Orlandivo e Alcione. Depois disso, preferiu viajar o mundo todo. Era também membro da Academia de Cinema de Hollywood.

Wilson Viana era delegado da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, e além de interpretar o Capitão AZA atuou em 63 filmes. O ator veio a falecer a 3 de Maio de 2003, com 75 anos, vítima de seu terceiro enfarte. Ele se encontrava no Mato Grosso do Sul, com sua mulher, filho e nora, onde passava uma temporada.

É interessante notar que o programa o programa era completamente ufanista, pró-militares. Com o tempo, o Capitão Aza passou de aeronauta pra astronauta, foi quando o programa teve sua fase “futurista”, cheio de efeitos especiais (que hoje parecem extrememante bregas). Quando os personagens eram convocados, além do tom militar usado pelo ator, apareciam bonecos deste personagem na tela, pelo menos dos que tiveram brinquedos produzidos na época. Outro grande diferencial era a música de abertura que apesar de completamente pacifista falava sobre a Bomba H e sobre tingir o céu de vermelho, dois temais que seriam impossíveis nos dias atuais. Se bem que em pleno governo militar, qualquer alusão a cor vermelha também não era bem-vista e ver algo assim ser liberado pelos censores é um evento ímpar que seja por um motivo, seja por outro, jamais será repetido.

Alexandre D´Assumpção

Segundo o Guia do Mochileiro das Galáxias, Alexandre D’assumpção, ou The Sumpa, é praticamente inofensivo. Apesar de todas as lendas a seu respeito, ele é apenas um professor Nerd, redator, roteirista de quadrinhos e audiovisual que nos anos 80 pediu carona para uma cabine azul e desde então, tem vivido suas aventuras através do espaço/tempo. Para facilitar a viagem, tornou-se mestre Zen na arte de ter um rosto tão comum que todos sempre o cumprimentam imaginando se tratar de outra pessoa; normalmente ele mesmo. Dono de uma péssima memória, ele nunca se lembra de detalhes importantes como rostos, grupos que passou nem dos inimigos que ameaçam sua vida, o que é péssimo quando ele os encontra em becos escuros. Sua toalha é customizada e ostenta a máscara da Iniciativa Gambate, empresa criada por ele para levar a cultura Pop a todos aqueles que dela precisarem, estejam onde estiverem. De tempos em tempos ele reverte a polaridade de sua chave de fenda sônica e leva algum compannion para passeios transmídia, seja em eventos, festivais ou programas de TV. No caso de um avistamento, principalmente se The Sumpa for a personalidade dominante, espere o inesperado e corra para sobreviver.

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