Quando éramos reis

Beanworld, os o mundo dos feijões de Larry Marder

Quando se começa a ler Beanworld, a obra prima de Larry Marder, fica muito claro que as histórias sempre vão girar ao redor de algumas rotinas: você sabe que as criaturas feijão vão atacar os Hoi-Polloi em busca de comida, tanto quanto sabe que o Peter Parker vai tomar bronca do J. Jonah Jameson, pelo menos uma vez em cada episódio. Algumas certezas também se consolidam: é tão previsível que, após intensa luta, as criaturas feijão conseguirão a comida quanto a Lucy remover a bola oval que Charlie Brown iria chutar.

Beanworld, mesmo assim, soa diferente. Suas repetições soam mais orgânicas, menos forçadas. Descontado o que é inerente à linguagem dos quadrinhos, os diálogos e os desenhos, a impressão que uma leitura estendida deixa é a de um processo da natureza, não de um gibi. Mais um menos como se você estivesse apreciando o primeiro passeio de tartarugas rumo ao mar. Beanworld é uma metáfora sobre a afinidade entre diferentes espécies, o delicado equilíbrio de um ecossistema. E é muito divertido.

Larry Marder faz bom uso dos olhos nas expressões faciais, e se vira com texturas interessantes (a da copa da árvore Gran’Ma’Pa merece destaque) e tira muito leite de variações do boneco-palito. É evidente que tem limitações artísticas. Quando iniciaram uma campanha para uma edição que arrecadaria fundos para o tratamento de câncer do auto de Omaha, houve sérias dúvidas se Marder seria capaz de retratar a gata dançarina, mas ele provou que os rumores eram exagerados. Nada disso o impediu de infundir vida a personagens como o professor Garbanzo ou Spooky. As cenas das criaturas feijão dançando ao som a Boom’r Band estão entre as páginas mais animadas (sempre é difícil desenhar bem grupos dançando).

Beanworld é o tipo de mágica rudimentar e essencial que só funciona numa página de quadrinhos. Não é o único quadrinho que aborda ecologia, um tema muito presente naquela época (Cadillacs e Dinossauros, Concreto, Nexus, entre outros também abordaram); não é o único que emula os ciclos da natureza (Mutts e Peanuts também andam por aí), mas é o que menos interpõe barreiras entre o leitor e essa experiência direta com os ciclos da natureza.

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