Minisséries Marvel/DC

Batman: Three Jokers #2

Batman: Três Coringas 2 é aquela mistura de mais do mesmo com filme de suspense que dá certo.

Mais do mesmo? Sim, Johns tenta forçar sua visão meio babaca do Batman, a mesma que brigou com Hal Jordan por motivos fúteis e que nesta edição deixou bem claro que escolheu nunca se aprofundar no drama do Jason Todd.

Sinceramente? Já que a morte do personagem sempre foi a maior mancha no curriculum do morcego, escolher varrer pra debaixo do tapete pode até ser uma solução, só que não dá pra fugir de certas coisas. Quase 40 anos depois, o segundo Robin voltou, assumiu a identidade de Capuz Vermelho e se deixou dominar pela raiva.

Os dois tiveram 15 anos (tempo do mundo real) para conversar e expiar este assunto, mas sempre fugiram dele e a coisa acabou saindo do controle. Resultado: enquanto Batman finge que o assunto não existe, os Coringas, que querem criar a versão definitiva de sua persona, jogam ainda mais sal nesta ferida ao dizer que por mais que Jason tenha se espelhado neles para criar sua persona heroica, ele não é inteligente o bastante para se tornar um deles.

Isso doí, principalmente para alguém que tem todas as suas fraquezas e feridas expostas com requintes de crueldade. Ele odeia o Bruce, faria sentido que ele se tornasse um Coringa, mas nem pra isso ele é bom o bastante. Sem ser a vítima nem o algoz, ele se torna a mensagem, um recado para alguém que parece não se importar.

É interessante ver que Barbara, que estava furiosa por ele ter matado um dos Coringas, acaba sendo a grande alma caridosa da história, dando um tapa de luva de pelica em Jason e no Cavaleiro das Trevas.

Bruce, que sempre evitou lidar com a questão de seu ex-pupilo até ser forçado a fazer, mas que preferia que ele fosse mais como ela e Jason, que também gostaria de ser como ela e se questionou o quanto ela sofreu para dar a volta por cima e voltar a andar com as próprias pernas.

Pois é… Johns pode até não saber escrever o Batman, mas consegue dar profundidade a seus ‘coadjuvantes e a seu universo. Quer um bom exemplo? Qual a importância de Joe Chill nesta história e qual a sua verdadeira motivação para matar os Waynes?

O roteirista não poupa elementos nostálgicos nem easter-eggs para escancarar todas as derrotas (pequenas ou grandes) do morcego. Fã da Era de Prata, Johns trouxe de volta este elemento que muitos de seus colegas vira e mexe apagavam da história do Batman. Nas eras de prata e de Bronze, o assassino dos pais do Batman não só teve nome e motivações como já encontrou o morcego em mais de uma situação.

Outro elemento interessante são os delírios do Coringa da Piada Mortal, que se imagina levando uma vida com a esposa e com o filho. É interessante que ele se vê como um marido que coloca medo na esposa e que o filho prefere não conviver. Como sabemos como a história terminou, pode ser um misto de culpa e loucura, principalmente quando descobrimos que ele estava conversando sozinho com dois manequins.

Isso nos leva a entender que apesar da transformação, ele não se sente muito só, como ainda tenta se apegar aos bons momentos que viveu, algo que claramente não acontece com o Coringa que não ri.

É perceptível que a intenção de Johns é nos mostrar que todos os personagens são vítimas da guerra do Batman contra o Coringa, principalmente os dois mais recentes, que foram criados pelo original em sua busca por sua versão definitiva. E essa busca gerou um rastro de morte e destruição.

Justamente por causa disso, as cenas da piscina de corpos e a dos Coringas Zumbis são assustadoras. Os coadjuvantes sequer tem controle de suas ações, eles apenas atacam e rezam pra morrer.

Ainda não dá pra entender pra onde essa história vai, mas já podemos ver que é um fanfic bem-feito. Sabe aquela história que todo fã gostaria de contar, mas poucos conseguem ser contratados pra isso? O fanzine de Geoff Johns acabou sendo publicado pela editora do personagem, que colocou um artista a altura da história.

Alexandre D´Assumpção

Segundo o Guia do Mochileiro das Galáxias, Alexandre D’assumpção, ou The Sumpa, é praticamente inofensivo. Apesar de todas as lendas a seu respeito, ele é apenas um professor Nerd, redator, roteirista de quadrinhos e audiovisual que nos anos 80 pediu carona para uma cabine azul e desde então, tem vivido suas aventuras através do espaço/tempo. Para facilitar a viagem, tornou-se mestre Zen na arte de ter um rosto tão comum que todos sempre o cumprimentam imaginando se tratar de outra pessoa; normalmente ele mesmo. Dono de uma péssima memória, ele nunca se lembra de detalhes importantes como rostos, grupos que passou nem dos inimigos que ameaçam sua vida, o que é péssimo quando ele os encontra em becos escuros. Sua toalha é customizada e ostenta a máscara da Iniciativa Gambate, empresa criada por ele para levar a cultura Pop a todos aqueles que dela precisarem, estejam onde estiverem. De tempos em tempos ele reverte a polaridade de sua chave de fenda sônica e leva algum compannion para passeios transmídia, seja em eventos, festivais ou programas de TV. No caso de um avistamento, principalmente se The Sumpa for a personalidade dominante, espere o inesperado e corra para sobreviver.

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