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Batman: O dia em que um garoto decidiu matar o Homem-Morcego

Brian Bolland escreve e ilustra uma história inesquecível.

O garoto cuja fantasia era matar o Batman.

Esta história foi publicada no século passado, então, sim, tem spoiler.

O Batman é membro da sagrada trindade da DC Comics, com uma legião de fãs, e um de seus grandes atrativos é, ao contrário do Super-Homem e da Mulher Maravilha, não possuir nenhum poder aparente; e eu disse aparente porque ele sempre pode contar com dois grandes superpoderes.

Primeiro ele é podre de rico! Tipo, super, super, super rico; tão rico que nas redes sociais a galera de esquerda já o inseriu na discussão da luta de classes. Bruce Wayne, burguês safado, de dia explora o proletariado e durante a noite espanca as vítimas do sistema.

Em segundo lugar, ele conta com a bênção dos roteiristas, que sempre dão um jeito de salvar a pele do morcegão, porque na real, tu pode ser faixa preta em vinte artes marciais diferentes, ágil como um felino, mas se pular no meio de um monte de criminosos armados com pistolas e submetralhadoras vai virar peneira.

Já os vilões eu não falo nada, porque basicamente eles são lunáticos que se fantasiam e saem noite afora rezando pra trocar socos com o Batman; caramba, olha só para eles, Charada, Espantalho, Senhor Frio, Arlequina, Hera Venenosa, a maioria tem doutorado, se duvidar o Coringa tem pós em Harvard, e ainda assim sentem tesão em apanhar de um cara vestido de Morcego; nada contra, fetiche é fetiche, mas isso explica porque eles não matam o herói, sem o Batman eles são só um bando de pacientes psiquiátricos com fantasias de Halloween.

E é aí que chegamos na história sobre a qual eu quero falar hoje, “Um Sujeito Inocente”, escrita e desenhada por Brian Bolland, responsável por ilustrar Piada Mortal de Alan Moore e Camelot 3000, entre outras tantas obras.

Publicada pela primeira vez em setembro de 1996, na coletânea de pequenas histórias chamada “Batman Preto e Branco”, contando com apenas oito páginas, ela nos apresentou um dos mais aterrorizantes vilões já vistos no universo do Homem-Morcego, exatamente por destoar completamente dele.

Conhecemos um jovem com uma vida absolutamente normal, estudante, mora com os pais, tem namorada, desses que você vê por aí todos os dias, e ele se considera um sujeito bacana.

O único problema é que ele decide que, pelo menos, uma vez na vida quer fazer algo ruim, não apenas ruim, muito ruim, terrível mesmo, de fazer Jason Vorhees levantar e dizer: Cara, acho que você passou dos limites; e apesar dele não se considerar um pervertido ou desajustado, pensou em raptar uma garotinha, acorrentá-la e torturá-la durante dias até a morte.

Completamente pirado, nesse sentido não é muito diferente dos outros malucos que enfrentam o Batman. O que o diferencia dos demais vilões é que ele não quer se fantasiar ou se chamar “O Mestre dos Mistérios” ou algo do tipo, ele só quer matar o Batman.

Sabe como é, quando John Lennon morreu muita gente chorou, imagina só o Batman. Bom, enfim, o lance é que ele não quer glória ou manchetes de jornal, ele só quer encontrar uma maneira de estar em uma janela ou um beco, para depois que o Batman aparecer e impedir o Pinguim ou o Ventríloquo, receba um tiro na cabeça.

Falando assim parece fácil demais, mas Bolland escreve de um jeito que você acredita que o moleque pode mesmo conseguir, porque ele não tem esquemas mirabolantes, não vai jogar uma moeda para o alto ou deixar charadas, ele só quer a chance de matar o Batman, para depois apagar todas as evidências, fazer faculdade, se casar, ter filhos e viver uma boa vida.

Não é nenhum plano genial, mas quer saber, poderia funcionar.

Poderia, se o Batman não fosse chegado dos roteiristas.

Batman “Preto e Branco” tem muitas histórias curtas e boas, escritas e ilustradas por artistas diferentes, contanto com nomes como Dennis O´Neil, Joe Kubert, Chuck Dixon, Neil Gaiman, Simon Bisley, Katsuhiro Otomo, entre outros.

Leitura rápida, interessante e no mínimo, vale pela curiosidade.

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