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Batman: As Dez Noites da Besta

Batman: As Dez Noites da Besta

Na década de 80, os soviéticos ainda eram os vilões preferidos de Hollywood.

Sylvester Stallone enfrentou os comunistas como o lutador Rocky Balboa, em 1985, derrotando o gigante russo Ivan Drago, responsável pela inescrupulosa morte de seu amigo Apollo Creed em um ringue dentro dos Estados Unidos.

Três anos depois, em 1988, desta vez como Rambo, viaja para o Afeganistão e luta ao lado do povo afegão contra os malignos soviéticos, para resgatar seu amigo e mentor Coronel Trautman.

A Queda do muro de Berlim em 1989 e o fim da União Soviética em 1991, obrigou os roteiristas a procurar novos inimigos.

Antes disso, também em 1988, o Homem Morcego teria que lidar com os russos, ou melhor, com um russo, treinado pela KGB, mestre em artes marciais, capaz de utilizar praticamente todas as armas brancas ou de fogo conhecidas, com a força ampliada ciberneticamente, denominado apropriadamente de KGBesta.

O assassino, vem para Gotham City com a missão de matar dez indivíduos, todos eles ligados ao projeto de defesa conhecido como Guerra nas Estrelas.

Aliás, antes de prosseguir, é bom que se diga, uma das coisas que logo chama a atenção é a péssima escolha de traje para o KGBesta, máscara, botas e um calção de couro que lembram demais as roupas de um sadomasoquista. É tão ruim que consegue ser pior do que o traje do Robin.

A premissa estabelecida pelo roteirista Jim Starlin é boa, com Batman sendo obrigado a proteger as vítimas de um estrategista, superior em força e agilidade, mas ela também acaba se mostrando um problema.

Starlin é obrigado a escrever sobre o confronto entre um dos maiores detetives contra um dos maiores assassinos do mundo, ambos extremamente inteligentes, sempre um passo à frente do seu adversário. Um roteiro envolvendo estes dois personagens torna-se complexo, levando muitas vezes o roteirista a forçar a barra, e é exatamente o que acontece aqui, não uma, mas inúmeras vezes.

As duas primeiras mortes não apresentam dificuldade para o KGBesta, mas a partir do momento em que Batman, a polícia de Gotham, a CIA, o FBI e até a KGB (o KGBesta está agindo supostamente contra as ordens da agência) sabem os nomes das próximas vítimas e decidem protege-las, as soluções encontradas por Starlin para que o vilão permaneça como uma ameaça real, simplesmente não convencem.

O assassino consegue ludibriar todos esses especialistas sem que explicações razoáveis sejam dadas, como a cena em que ele invade um hotel coalhado de agentes e consegue colocar explosivos no quarto de uma das vítimas e depois se posicionar acima de um elevador onde ameaça a todos em seu interior.

A cena em que Batman sequestra o presidente Ronald Reagan, um dos alvos do KGBesta, extrapola os limites do absurdo.

Eu já falei nessa coluna sobre outra história de Jim Starlin, que também foi publicada pela DC Comics em 1988, “Morte em Família”, quando o Coringa mata Jason Todd, o segundo Robin.

Em “Morte em Família” ele exagera nas coincidências, a um ponto em que a suspenção de descrença desmorona, e em “As Dez Noites da Besta” precisa forçar situações e reduzir a inteligência de todos os envolvidos, fazendo com que uma força tarefa composta pelas principais agências de espionagem, o FBI, a polícia e até o Batman, se mostrem, no mínimo, incompetentes.

A arte de Jim Aparo, que também desenhou “Morte em Família”, continua agradando, limpa, sem muitos detalhes ou exageros, com foco nos personagens.

Ambas as histórias são, com um pouco de boa vontade, clássicas do Homem Morcego, mas nem por isso são boas.

A combinação Batman e Jim Starlin mais uma vez não funcionou como deveria.

A Panini Comics lançou um encadernado com as 100 páginas de “As Dez Noites da Besta” e fez o favor de acrescentar 200 páginas com outras histórias, todas medianas, o que, obviamente, jogou o preço nas alturas.

Tem coisa melhor para você investir o seu suado dinheirinho.

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