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As Pontes de Madison (1995)

Clint Eastwood e Meryl Streep dão um show de atuação em um romance que revela os desejos de uma mulher invisível

Clint Eastwood e Meryl Streep já sacramentaram seus nomes entre os maiores da sétima arte; o primeiro foi indicado ao Oscar duas vezes como ator e quatro vezes como diretor, vencendo na categoria de melhor diretor em 1993, pelo filme “Os Imperdoáveis” e em 2005 por “Menina de Ouro”. Já Streep foi indicada ao Oscar em impressionantes 21 ocasiões, recorde absoluto, vencendo em 1980 por “Kramer vs Kramer”, 1983 por “A Escolha de Sofia” e 2012 por “A Dama de Ferro”. Ambos também colecionam indicações e vitórias no Globo de Ouro e em outros festivais.

Se esta enxurrada de prêmios não significa nada para você, não tem problema, apenas assista alguns filmes onde Meryl e Clint atuam e você vai compreender do que estamos falando. Como bem disse o personagem Cameron em Modern Family, Streep poderia ser o Batman caso quisesse e ainda assim, seria perfeita, logo, quando a dupla de protagonistas de “As Pontes de Madison” é interpretada por estes dois gigantes, dominando praticamente todas as cenas, e a direção fica a cargo do próprio Eastwood, você sabe que o ingresso valerá a pena.

O roteiro é simples, baseado no livro homônimo de Robert James Waller, narra a história de Francesca (Meryl Streep), casada, mãe de dois adolescentes, que por quatro dias, fica sozinha em casa, enquanto o marido e os filhos levam um novilho para concorrer em uma feira em Illinois.

Uma das primeiras cenas, em que Francesca prepara o jantar para a família e se senta à mesa com eles, é crucial para se compreender sua vida e suas motivações, filho e esposo deixam a porta bater ao entrarem, ainda que ela tenha dito para não o fazerem, a filha muda a música que a mãe está escutando no rádio sem se incomodar em perguntar se poderia ou não, e durante a refeição, não conversam, apernas comem; É quase como se Francesca fosse invisível, como se não estivesse lá.

Não há qualquer indicativo de que o marido seja infiel ou cruel com ela, apenas que não a enxerga como provavelmente enxergou no passado. A “invisibilidade” é tema recorrente no filme, o que se torna mais evidente quando surge Robert Kincaid (Clint Eastwood), fotógrafo que está no condado de Madison para fotografar as pontes cobertas, bastante comuns na área, para a revista National Geographic, onde trabalha.

Parte essencial da profissão de fotógrafo é enxergar além das aparências, descobrir o melhor ângulo, a melhor iluminação, registrar o que há de melhor em uma imagem, eternizando o momento. Kincaid enxerga em Francesca muito mais do que apernas uma mãe e dona de casa interiorana, ele a vê como uma mulher, com seus sonhos e desejos.

Ele se interessa por ela, verdadeiramente a ouve em vez de apenas esperar pela sua vez de falar, elogia sua beleza, e um romance começa a tomar forma, não de forma apressada e vulgar, mas lentamente, passo a passo, com uma delicadeza ímpar reforçada pela química entre Eastwood e Streep, que com um olhar desviado ou um sorriso já dizem mais do que um longo e desnecessário texto, nos fazendo crer que há muito mais do que apenas atração física ali.

Kincaid é muito diferente de Francesca, divorciado, viaja pelo mundo, e tem um trabalho que ama, já ela, abandonou a classe de aula para cuidar dos filhos e porque o esposo não queria que ela trabalhasse. Ao despertar paixão, ser ouvida e desejada, a própria Francesca se redescobre, observa a imagem no espelho, torna-se vaidosa, e se questiona sobre sua vida e seus sonhos.

O julgamento apressado que a sociedade impõe também está presente no longa, não há perdão ou justificativa para a mulher que trai, rapidamente condenada e excluída do convívio social. Ao homem a traição é também condenada, mas com atenuantes, normalmente atribuída a sua natureza.

A direção de Eastwood nos guia habilmente e nos faz participar do dilema de Francesca, ela está apaixonada, mas para partir com Robert, precisa abrir mão dos filhos e do marido, que ao não ser retratado como pessoa vil e desprezível, torna a decisão muito mais difícil, para a personagem e para o público, que se vê igualmente dividido. O maior peso e o que a impede de impulsivamente seguir sua paixão, não é o medo do julgamento da sociedade, mas o amor pelos filhos. Francesca, como tantas outras mulheres, sacrifica seus sonhos pela família.

Filhos que só ficam sabendo do romance proibido pelos diários da mãe após seu falecimento, descobrem que não conheciam de fato a mulher que os amou mais do que tudo na vida e com a qual conviveram na mesma casa durante anos.

As Pontes de Madison é um filme sobre paixão e amor, mas, mais do que isso, fala da necessidade de se demonstrar com palavras, e, mais importante ainda, com ações, o amor que se diz sentir.

Em seu leito de morte, Richard, o marido de Francesca diz que a ama muito e pede perdão por não ter conseguido realizar seus sonhos. Impossível não pensar que deveria ter lhe dito isso mais vezes, e conversado mais sobre os sonhos por ela abandonados.

Permanecendo como um dos grandes trabalhos de Eastwood e Streep, não há vilões aqui, apenas seres humanos e uma reflexão sobre relacionamentos, amor e fidelidade, não apenas ao outro, mas a nós mesmos.

Se não assistiu, aproveite o dia dos namorados que está chegando para apreciar esse filme ao lado de quem você ama. Ele está disponível para locação por um preço bastante razoável em serviços como Google Play e Looke.

Fernando Fontana

Fernando Fontana é escritor e adulto amador, criador do Site Super Ninguém e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos. Tá sabendo da novidade? Somos parceiros da Amazon. Vai comprar na Amazon? Utilize o código: canalmetali06-20! e dê uma força para o canal.

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