Leituras do Sumpa

Aquela Minissérie da Angela do século passado

O nascimento de um anjo.

Nos anos 90, Neil Gaiman, o cara que se recusou a assumir o texto do Monstro do Pântano por causa do que fizeram com o Rick Veitch, entrou numa roubada que seu colega recusaria.

Ele escreveu Spawn 9 e a minissérie da Angela. Conhece as duas histórias?

Uma edição e uma minissérie:

Spawn 9 veio numa leva de quatro edições onde roteiristas famosos escreveram histórias do personagem.

Na sua edição, Gaiman criou o anjo Angela, uma caçadora de Hellspawns que vem a terra para caçar Al Simmons, a mais recente criado inferno. Os dois saem na porrada e Simmons só se salva porque faz um truque com sua capa que só conseguiu repetir na próxima história escrita pelo autor, a Minissérie da Angela.

Na mini, que é uma consequência direta dessa edição, o Anjo caçador das fachinhas é acusado pela embaixadora de Elysium, a realidade celestial de ter ido na Terra sem permissão, o que tornava a caçada ilegal.

Anjos tem ideias de jerico?

No que só podemos chamar de ideia de Jerico, as amiguinhas da moça vem até a terra e sequestram o Spawn para que ele ajude a entidade que tentou matá-lo.

A coisa degringola e no meio do julgamento, Simmons é descoberto, Angela tenta ajudá-lo e os dois vão parar em Malelbogia, onde se metem numa confusão que não dá e nada só pra que cada um seja enviado para um lugar diferente, sendo que Angela é convenientemente mandada de volta para o lugar de onde veio.

A história termina com Angela virando uma mercenária e a embaixadora sofre um impeachment.

O que veio depois:

Após essa mini, Gaiman escreveu Spawn 26, cuja história se cruza com a Mini da Angela e começou uma briga com Todd McFarlane que durou décadas.

Antes de contar a história da briga, vale a pena ressaltar algumas curiosidades.

Estética dos quadrinhos antigos:

Além de Angela, Neil Gaiman ainda criou o Conde Cagliosto e o Spawn Medieval, que encheram o bolso de McFarlane de grana.

Como qualquer quadrinho de quase 30 anos atrás, as páginas têm tanta informação visual que ficam confusas, quase ilegíveis.

Não espere o Neil Gaiman rebuscado de Sandman e dos livros. As três edições apresentam um fiapo de história que só serve para forçar o reencontro dos personagens, mostrar bunda, peito e porrada.

No meio do caminho tinha um Eclipse:

A dupla tinha uma segunda edição de Angela na agulha, mas Miracleman ferrou com tudo.

Não sei se vocês sabem, mas Gaiman fez um contrato de boca em que McFarlane não pagaria Royalties, mas mandaria cheques de tempos em tempos, até que segundo Gaiman, os cheques pararam de chegar.

Isso criou um racha entre os dois, até porque o escritor Inglês passou a chamar o canadense de hipócrita, afinal, ele montou uma editora para ter os direitos de suas criações, algo que ele não pagava para seus criadores.

Pra piorar ainda mais, a Eclipse Comics, editora que detinha os direitos do Miracleman faliu, loteou seu espólio e o criador do Spawn comprou, supostamente para ser dono de algo que seu desafeto queria muito e para recuperar os direitos sobre uma espécie de Tazo do Spawn que a editora havia produzido.

Olha o processo!!!

McFarlane caiu no conto da Carochinha e comprou o espólio de algo que nunca teria o direito de publicar porque não tinha o Copyright. Pra piorar, ele ainda tentou usar o Miracleman em suas revistas, mas só tinha direito a logo do personagem e teve de redesenhar tudo e criar um novo personagem, o Man of Miracles.

Gaiman não pensou duas vezes e tacou o processo no dono da Image.

Eventualmente, a batalha judicial dos dois terminaria graças a Marvel e ao Alan Moore. Como resultado, o Miracleman e a Angela foram pra Marvel, que publicou tudo que havia saído do personagem inglês e está para lançar o material inédito.

Angela, que foi muito importante para as histórias do Spawn, morreu em Spawn 100 e acabou indo parar em Guardiões da Galáxia e eventualmente se tornou filha de Odin. Cagliostro, os anjos e o Spawn Medieval (com pequenas alterações) continuaram com McFarlane.

Caso você queira conhecer toda a confusão, peça isso nos comentários ou no instagram @canalmetalinguagem que jogaremos com gosto tudo no ventilador.

Alexandre D´Assumpção

Segundo o Guia do Mochileiro das Galáxias, Alexandre D’assumpção, ou The Sumpa, é praticamente inofensivo. Apesar de todas as lendas a seu respeito, ele é apenas um professor Nerd, redator, roteirista de quadrinhos e audiovisual que nos anos 80 pediu carona para uma cabine azul e desde então, tem vivido suas aventuras através do espaço/tempo. Para facilitar a viagem, tornou-se mestre Zen na arte de ter um rosto tão comum que todos sempre o cumprimentam imaginando se tratar de outra pessoa; normalmente ele mesmo. Dono de uma péssima memória, ele nunca se lembra de detalhes importantes como rostos, grupos que passou nem dos inimigos que ameaçam sua vida, o que é péssimo quando ele os encontra em becos escuros. Sua toalha é customizada e ostenta a máscara da Iniciativa Gambate, empresa criada por ele para levar a cultura Pop a todos aqueles que dela precisarem, estejam onde estiverem. De tempos em tempos ele reverte a polaridade de sua chave de fenda sônica e leva algum compannion para passeios transmídia, seja em eventos, festivais ou programas de TV. No caso de um avistamento, principalmente se The Sumpa for a personalidade dominante, espere o inesperado e corra para sobreviver.

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