Lembra disso?

Ally McBeal: Minha Vida de Solteira (1997/2002)

Calista Flockart, a Ally McBeal:

Responda rápido: quando você viu Calista Flockart pela primeira vez?

Se suas respostas foram: Supergirl ou Sra. Harrison Ford, você conhece a atriz ha bastante tempo, mas não o suficiente para vê-la em seu auge.

Se você tem idade para ter visto Ally McBeal, considere-se sortudo. Apesar de ter durado apenas cinco anos (1997-2002), a série criada por David E. Kelley apresentava uma jovem advogada magrela que adorava uma sainha curta, mas que apesar de ter uma vida amorosa relativamente movimentada, suas histórias não necessariamente giravam em torno de sua vida amorosa, mas dos casos que defendia.

Você não precisa ser louco pra trabalhar aqui, mas isso ajuda:

Kelley, um especialista em séries de julgamento, decidiu brincar com a fórmula que ele mesmo havia criado.

McBeal é uma daquelas pessoas divertidas, interessantes e cativantes que tem o dedo podre pra relacionamentos. Quem nunca? Mas o dedo dela é tão podre que com todos os escritórios do mundo, ela vai parar no que seu amor de faculdade trabalhava. Que parecia ter sido escrito nas estrelas tinha uma pegadinha. Billy Thomas (Gil Bellows) havia se casado com Georgia (Courtney Thorne-Smith), uma advogada que rapidinho deu um jeito de ir trabalhar na empresa do “Mozão”, o que acabou criando uns probleminhas pra mocinha.

O escritório Cage e Fish que ao longo da série também é conhecido como Cage/Fish & McBeal ou Cage, Fish, & Associados é praticamente um hospício e reuma uma fauna curiosa. O que esperar de um lugar que tem um banheiro Unisex e que aboliu a regra de que funcionários (e patrões) não devem se relacionar? Isso quando um dos advogados não flerta ou se envolve com os juízes que decidem os casos, como é o caso de Richard Fish (Greg Germann), que logo no começo da série mantém um relacionamento meio subi com a juíza Whipper Cone (Dyan Cannon) e no decorrer da série, não aprende a lição e se envolve com as estranhas Juíza Ling (Lucy Liu) e com a advogada Liza Bump (Christina Ricci) que eram completamente fora da caixinha.

Se Fish é conhecido por suas iniquidades, John Cage (Peter MacNicol) o outro sócio, é conhecido por suas esquisitices. Sabe-se lá por qual motivo, ele ganhou o apelido de Biscuit. É claro que o hospício não estaria completo sem Elaine Vassal (Jane Krakowsky), a rainha dos malucos. Num dos episódios, ela cria um sutiã facial e passa a trabalhar com eles.

Ally McBeal, a bola fora da curva:

Se você levar em conta que em 1997 a FOX exibia Arquivo X, Mister M (o mágico lembra?), a série do Homem-Aranha, O Quinteto, Barrados no Baile e umas coisas mais… caretas, Ally McBeal foi a bola fora da curva da temporada. Principalmente quando levamos em conta que nas primeiras temporadas a série abusava de recursos visuais para brincar com os sentimentos da personagem. O Dancing Baby (meme famoso da época) aparecia quando ela falava do relógio biológico, se as personagens vissem um cara gostoso suas línguas iam até o chão, se Ally se sentisse mal, ela ia pra lixeira… gags visuais típicas de animações do Tex Avery, que apesar de datadas, eram uma novidade e não deviam ser baratas na época, tanto que foram descontinuadas após poucas temporadas.

Searching My Soul:

Um elemento que nasceu e durou até o último episódio foi a música. A série tinha uma musicalidade própria. Vonda Shephard, cantora do tema de abertura da série fazia alguns números músicas no bar que os personagens frequentavam após o fim do expediente. Além dela, ainda tivemos Elton John, Mariah Carey, Barry White e Anastacia (entre outros). As trilhas sonoras de Ally McBeal foram um sucesso muito antes de Ryan Murphy sequer pensar em criar o Glee.

Uma versão maus cool de Searching My Soul, a música tema da série, foi inserida em algumas versões de By 7:30, album de 1999 da cantora.

O ataque das feministas furiosas:

Um grupo de feministas criticou severamente a série, afirmando que a série não só denegria como diminuía as mulheres, principalmente as profissionais do direito. Segundo elas, lhes faltava conhecimento dos jargões legislativos e de leis, usavam roupas curtas e ainda demonstravam uma grande instabilidade emocional. No dia 29/06/1998, a capa da Time Magazine colocou uma imagem de Ally ao lado de feministas famosas como Susan B. Anthony, Betty Friedan e Gloria Steinem. Na capa estava impressa a indagação: “Será que o feminismo está morto”?

A série não deixou barato e fez piada com isso. No episódio 12 da segunda temporada, Ally Comentava com Cage: “Sabe, sonhei que tinham me colocado na Time Magazine e que haviam dito que eu era a nova face do feminismo”.

No fim, acabaram dando uma aumentada na saia dela.

É lenha pura, Homem De Ferro! Dura armadura, Homem de Ferro!

Uma das características de Ally é que ela não se segurava muito e se jogava mesmo em cima de quem se interessava. Foi o caso de Jon Cage e do advogado Larry Paul, que foi seu par romântico na quarta temporada e que fez pequenas aparições na quinta. O motivo? Na época, Robert Downey Jr. o intérprete do personagem, que já teve sérios problemas com drogas, teve uma recaída que virou um caso policial noticiado em todos os programas sensacionalistas da época.

Robert Dow… É, o Homem de Ferro participou da série. E num dos piores momentos de sua vida. Isso, poucos anos antes de Jon Favreau ter decidido que alguém com seu histórico seria o Tony Stark perfeito. Sim, nosso Texano preferido salvou a carreira do sujeito e o resto é história.

Na série, Larry acabou abandonando Ally no altar, o que foi o começo do fim da série

Só um ciclope não veria o fim chegando.

Com a saída de Downey Jr., a série teve de rebolar pra evitar todos os respingos de toda essa propaganda negativa. Ally voltou a ser solteira e novos advogados entraram na série. Entre eles, Jenny (Julianne Nicholson ) e Glenn (James Marsden).

Sim, eles substituíram o Homem de Ferro pelo Ciclope, o que não agradou nem um pouco, uma vez que Marsden é (ou era) um ator extremamente limitado.

Na verdade, a série sempre teve um elenco rotativo, mas a temporada 4 foi a despedida de Jon Cage e a série perdeu não um, mas dois personagens importantes. Com o esvaziamento, a solução foi mobilizar o romance para outro casal e dar uma nova motivação para a protagonista, que acabou descobrindo que era mãe, fechando o ciclo que havia iniciado naqueles episódios da primeira temporada em que seu relógio biológico havia sido ativado.

O curioso é que quando sua filha surge, a explicação é que ela doou óvulos que acabaram sendo fecundados e bem…

Surge Maddie  (Hayden Panettiere). A filha biológica de Ally que mudou toda a vida da protagonista. Eventualmente, ela acabou contratando Victor Morrison (Jon Bon Jovi), um faz tudo que acabou assumindo as funções de babá da menina e interesse amoroso de Ally.

No anticlimático, porem sensato final da série, Ally abandonou tudo para viver com sua filha.

Crossover:

Ally McBeal se passou dentro do universo da série The Practice, a outra série de David E. Kelley que na época, estava sendo exibida na ABC, marcando uma das raras ocasiões em que séries de diferentes redes de TV se encontraram. .

O Juiz Seymore Walsh (Albert Hall), que sempre se irritava com as excentricidades dos advogados da Cage & Fish era figurinha recorrente em The Pratice. A Juíza Jennifer (Whipper) Cone apareceu no episódio “Line of Duty” (S02 E15), já a Juíza Roberta Kittelson foi um personagem da série, apareceu no episódio “Do You Wanna Dance” de Ally McBeal

Boa parte dos personagens principais da série apareceram no episódio “The Inmates” (S01 E20), num crossover que começou em Ally McBeal e terminou em The Practice, no episódio “The Axe Murderer”, que contou com a participação dos personagens de Calista Flockhart e Gil Bellows. Bobby Donnel, o protagonista de The Practice interpretado por Dylan McDermott foi extremamente importante nos dois episódios. Além do episódio, ele também participou de “These are the Days”.

Lara Flyn Boyle e Michael Badalucco também participaram da série, mas não foi revelado se eles estavam ou não interpretando seus personagens de The Practice.

Recepção da crítica

Em sua 1ª temporada, Ally McBeal teve recepção geralmente favorável por parte da crítica especializada. Com base de 28 avaliações profissionais, alcançou uma pontuação de 73% no Metacritic. Por votos dos usuários do site, atinge uma nota de 9.0, usada para avaliar a recepção do público.

A série acabou sendo cancelada devido a baixa audiência. A quinta temporada foi a única que não ganhou um Emmy ou um Golden Globe.

A série ganhou vários prêmios. Entre eles:

Emmy Awards:

  • Melhor Série de Comédia (1999)
  • Melhor Ator (coadjuvante/secundário) em Série de Comédia – Peter MacNicol (2001)

Globo de Ouro:

  • Melhor Série (comédia ou musical) (1998-1999)
  • Melhor Atriz (comédia ou musical) – Calista Flockhart (1998)
  • Melhor Ator (coadjuvante/secundário) em televisão – Robert Downey Jr. (2001)

Screen Actors Guild:

  • Melhor Elenco (série de comédia) (1999)
  • Melhor Ator (série de comédia) – Robert Downey Jr. (2001)

Nomeações

Emmy Awards:

  • Melhor Série de Comédia (1998)
  • Melhor Atriz em Série de Comédia – Calista Flockhart (1998-1999, 2001)
  • Melhor Ator (coadjuvante/secundário) em Série de Comédia – Peter MacNicol (1999-2000)
  • Melhor Atriz (coadjuvante/secundária) em Série de Comédia – Lucy Liu (1999)
  • Melhor Atriz Convidada em Série de Comédia – Bernadette Peters (2001)

Globo de Ouro:

  • Melhor Série (comédia ou musical) (2000-2002)
  • Melhor Atriz (comédia ou musical) – Calista Flockhart
  • Melhor Atriz (coadjuvante/secundária) em televisão – Jane Krakowski (1999)

Screen Actors Guild:

  • Melhor Elenco (série de comédia) (1998, 2000-2001)
  • Melhor Atriz (série de comédia) – Calista Flockhart (1998-2001)
  • Melhor Atriz (série de comédia) – Lucy Liu (2000)
  • Melhor Ator (série de comédia) – Peter MacNicol (1999-2001)

Polêmicas:

  • Magreza exagerada – Um dos aspectos mais chamativos de Ally McBeal era a forma física de suas atrizes. Calista Flockhart, Lucy Liu e Portia de Rossi eram tão magras que eram alvos frequentes de suspeita de anorexia. Courtney Thorne-Smith foi tão pressionada a perder peso que não suportou e pediu demissão após a terceira temporada. “Eu comia pouco, malhava muito e me cobrava demais. Isso destruiu meu sistema imunológico. O tempo que eu passava pensando em comida e ficando chateada com meu corpo era insano”, disse ela à revista Us Weekly, em entrevista na qual confessou que, na época, comia apenas saladas e frutas. “Eu sonhava com frangos.” Jane Krakowski, que era considerada gorda em meio às colegas (embora tivesse um corpo normal), chegou a falar abertamente que se recusava a perder peso. “Eu acho uma pena que as pessoas sintam que precisam ser esqueléticas para para atuar na TV ou conseguir capas de revista”, reclamou ao jornal escocês Scottish Daily.
  • Vício em drogas – No fim da terceira temporada, com a saída de Courtney e de Gil Bellows, os produtores decidiram criar um novo par romântico para Ally e contrataram o ator Robert Downey Jr. para interpretar Larry Paul. Durante o quarto ano, Ally e Larry formaram um casal perfeito, com uma paixão tão intensa que o último episódio da temporada marcaria o casamento de seus personagens. Porém, Downey Jr. era um ator conhecido por seu vício em drogas. Ele, inclusive, começou a trabalhar na série uma semana depois de ser solto da cadeia em liberdade condicional. Sem aguentar o ritmo intenso de gravações de uma série semanal, ele teve uma recaída e foi flagrado com cocaína. A Fox não teve dúvidas e demitiu o ator, faltando apenas dois episódios para encerrar as gravações da temporada. O criador David E. Kelley precisou reescrever o fim às pressas para que Ally e Larry não fossem mais um casal. Mesmo assim, Downey Jr. foi indicado ao Emmy e ganhou o Globo de Ouro por sua participação.
  • Transtorno bipolar – Intérprete de Renée Raddick, colega de apartamento e conselheira de Ally, a atriz Lisa Nicole Carson teve um papel essencial nas primeiras quatro temporadas. Nos bastidores, ela lutava contra um transtorno bipolar que quase destruiu sua vida. No início da segunda temporada, a atriz foi parar no hospital para cuidar da doença, mas teve alta e voltou para a série depois de duas semanas. Em 2000, ela teve um surto que virou notícia no mundo todo. “Eu só me lembro do barulho de vidro quebrando, gritos, berros e terror. Puro terror”, disse ela à revista People em 2015. No fim da quarta temporada, Lisa Nicole pediu para deixar a série para se cuidar. Ela passou mais de uma década sem trabalhar até participar de um episódio de Harry’s Law (2011-2012), no qual interpretou a mesma Renée Raddick.
  • Homofobia – David E. Kelley foi novamente tachado de machista por sua representação de mulheres lésbicas. Em um episódio da segunda temporada, a primeira personagem homossexual a dar as caras foi detonada pelo personagem Richard Fish. “Ela é uma odiadora de homens, lésbica raivosa e que parece um homem”, reclamou o advogado. Para rebater as críticas, o criador decidiu promover um beijo entre Ally e Ling (Lucy Liu) após as duas personagens flertarem com a ideia de um romance entre elas. As advogadas trocam carícias e admitem que gostaram da experiência, mas que preferem ter relações com “alguém que tenha um pênis”. Novamente, as representantes de grupos lésbicos atacaram a série, afirmando que o beijo entre duas mulheres atraentes e que nunca tinham manifestado desejo homossexual foi realizado muito mais para atiçar o fetiche do público masculino do que para promover um necessário debate sobre o tema.

Revival:

Em 2018, Kelley confessou à revista Hollywood Reporter que estaria aberto para um retorno da série, mas que acreditava que uma nova versão deveria ser liderada por uma mulher. “Eu estaria aberto à ideia de Ally McBeal ser feita , mas não acho que deveria ser feito por mim. Se fosse para acontecer, realmente deveria ser feito por uma mulher”, disse.

Nenhuma emissora ou serviço de streaming está ligado ao projeto por enquanto, mas, por se tratar de um desenvolvimento da 20th Television, que pertence à Disney, o Hulu seria a uma opção mais próxima para ser a casa do revival.

E no Brasil?

No Brasil, a série, que foi exibida legendada nos bons tempos da FOX e fazia um tremendo sucesso no Orkut e nos blogs. Esse sucesso fez com que ela fosse dublada e exibida nas TVs Bandeirantes e Gazeta, a versão dublada até começou com uma audiência boa, mas como a maioria das séries “diferentonas” que faziam sucesso na TV a cabo, ela não se comunicava com o público das TVs abertas e foi sendo gradualmente varrida da programação

Gostou de relembrar uma série relativamente recente? Esse é o truque do Lembra disso? Temos lembranças para todas as idades.

Volte sempre! Nunca fechamos.

Alexandre D´Assumpção

Segundo o Guia do Mochileiro das Galáxias, Alexandre D’assumpção, ou The Sumpa, é praticamente inofensivo. Apesar de todas as lendas a seu respeito, ele é apenas um professor Nerd, redator, roteirista de quadrinhos e audiovisual que nos anos 80 pediu carona para uma cabine azul e desde então, tem vivido suas aventuras através do espaço/tempo. Para facilitar a viagem, tornou-se mestre Zen na arte de ter um rosto tão comum que todos sempre o cumprimentam imaginando se tratar de outra pessoa; normalmente ele mesmo. Dono de uma péssima memória, ele nunca se lembra de detalhes importantes como rostos, grupos que passou nem dos inimigos que ameaçam sua vida, o que é péssimo quando ele os encontra em becos escuros. Sua toalha é customizada e ostenta a máscara da Iniciativa Gambate, empresa criada por ele para levar a cultura Pop a todos aqueles que dela precisarem, estejam onde estiverem. De tempos em tempos ele reverte a polaridade de sua chave de fenda sônica e leva algum compannion para passeios transmídia, seja em eventos, festivais ou programas de TV. No caso de um avistamento, principalmente se The Sumpa for a personalidade dominante, espere o inesperado e corra para sobreviver.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

Botão Voltar ao topo