Lembra disso?

A Princesa e o Cavaleiro (1967)

Mês passado, a JBC anunciou que vai relançar o mangá de A Princesa e o Cavaleiro.

Lembra disso?

Se você foi criança ou adolescente nos anos 70/80, certamente se lembra de um desenho animado em que uma menina vestida de menino, enfrentava inimigos de seu reino, algumas vezes, auxiliada por um anjinho bem atrapalhado.

Ah, agora você ligou o nome a pessoa?

Ribon no Kishi, cuja tradução literal seria O Cavaleiro da fita”, é um mangá criado por Ozamu Tezuka, que muitos chamam de “O Pai dos Mangás”, o responsável por estabelecer as regras visuais e narrativas do que veio a ser este tipo de literatura. Se o mangá, que foi originalmente publicado em 1954 teve pelo menos duas versões, o anime, que foi originalmente exibido em 1967, teve apenas essa.

A série animada foi exibida na Fuji TV de abril de 1967 a abril de 1968 com um total de cinquenta e dois episódios. Foi um dos primeiros animes shoujo

A história:

Tanto no mangá quanto no anime, conhecemos a Princesa Safiri, uma menina que devido as peripécias do anjinho Ching (Tinku, no original), acabou tendo seu coração de menina trocado pelo de um menino, o que acabou sendo conveniente para a história.

Sem um herdeiro e assombrado com a possibilidade de seu reino cair nas inescrupulosas mãos do Duque Duralumínio, que pretende que a coroa vá para as mãos de seu filho, Plástico, o rei da Terra de Prata decide que Safiri será criada como um menino.

Apesar de ser forçada a se tornar um transgênero, ela tem a chance de viver os dois mundos, uma vez que quando surgisse um príncipe merecedor da coroa, ela poderia finalmente assumir seu lado feminino, até então, ela seria o príncipe que o reino tanto precisa e lutaria contra os inimigos do reino.

Já o anjinho Ching, ele foi enviado para resolver as confusões que criou com a troca de corações e acaba se tornando amigo da príncipe, principalmente após o primeiro encontro delas com Satã, um demônio conjurado pelo Duque Duralumínio para eliminar a príncipe.

Para deixar tudo ainda mais complicado, a príncipe conhece o Príncipe Franz num baile e se apaixona pelo rapazote, mas não pode revelar que a identidade da bela menina. Some isso às complicações que a personagem já precisa enfrentar e vemos o tipo de apuros que Safiri enfrenta.

Apesar de ser uma série relativamente leve, não se engane. Estamos falando de uma série japonesa dos anos 60 que tinha um demônio como vilão. Outros tempos, outras regras, outra ótica.

Uma série a frente de seu tempo:

Por se tratar de um bisavô dos animes do Chrunchyroll, a animação de a Princesa e o Cavaleiro é extremamente datada. Ela é uma daquelas séries que nossa memória afetiva faz com que pareçam bem melhores do que realmente são, o que não impede que com as devidas ressalvas, ela ainda possa ser assistida e curtida em 2021.

Tezuka aprendeu com a Disney e criou histórias atemporais. É um conto de fadas feminista criado anos antes do feminismo virar uma pauta pertinente, o que vai agradar aqueles que só gostam de histórias com mulheres fortes, por mais que essa nem sempre passe no Teste de Bechdell. E ela ainda vai agradar aos que só quiserem assistiu a uma aventurinha com doses de comédia.

O mangá (e o anime) tem forte inspiração nos temas e estilos dos musicais do Teatro de Takarazuka a que Tezuka assistia em sua infância. O próprio mangá criou um gênero inédito no mundo, o de quadrinhos que tem como público-alvo as meninas (chamado shoujo) e estabeleceram muitos dos temas dos shoujos posteriores. O sucesso foi tanto que houve até uma radionovela produzida na época. A série também foi um dos primeiros animes coloridos produzidos.

Curiosidades:

Osamu Tezuka definiu que os principais protagonistas de seu desenho teriam nomes de metais preciosos e pedras preciosas e os vilões da história, teriam nomes baseados em ligas baratas ou sintéticas. Daí os nomes de Saphire, Duralumínio e Nylon.

A Princesa e o Cavaleiro, além de ser um desenho clássico, possui elementos da mitologia grega, cristã, e de uma forma subliminar, aborda a questão da bissexualidade.

Um destaque é a trilha sonora de Issao Tomita, que deu um toque monumental à série, especialmente no encerramento dos episódios e nas aparições do Cavaleiro Vingador.

Num determinado ponto da história, Satã foi substituído pela bruxa Madame Inferno. Ela surgiu na terceira versão do mangá e é uma bruxa que deseja casar Heckett: sua filha rebelde com algum príncipe rico e não vai medir esforços para ver seu desejo realizado. Deseja o coração, a voz e a beleza de Safiri para que sua filha torne-se mais feminina e possa casar-se.

E no Brasil?

Normalmente lemos os quadrinhos que inspiraram as séries, mas no Brasil, foi o contrário. O anime chegou primeiro na TV e só depois foi paras as bancas de jornal.

A Princesa e o Cavaleiro foi exibido no Brasil a partir de 1973 na TV Record, indo ao ar diariamente às 19h. Na TV Tupi do Rio de Janeiro o desenho começou a ser apresentado a partir de 1974, sendo levado ao ar junto com Esper, O Garoto a Jato às 17h. A partir de 1977 também foi exibido pela Record do Rio.

No começo dos anos 80 começou a ser mostrado na TVS até 1984. Marcou toda uma geração e tornou-se símbolo da animação japonesa para alguns.

No Brasil o desenho teve duas dublagens, uma realizada pela AIC – São Paulo e outra pela Cinecastro,

Nos anos 90 o desenho A Princesa e o Cavaleiro foi lançado em quatro fitas VHS e em 2012 a Focus Filmes o comercializou por aqui em DVD com a dublagem original.

Já nos quadrinhos, ela apareceu pela primeira vez em 2002, publicada em oito edições. Recentemente, a JBC anunciou que republicará a série em um formato de luxo.

Como ninguém avisou aos meninos que se tratava de uma série para meninas, A Princesa e o Cavaleiro acabou sendo a Sailor Moon dos anos 70, aquela série que todos gostavam de assistir e que lembram com carinho.

Lembrava dessa série?

Alexandre D´Assumpção

Segundo o Guia do Mochileiro das Galáxias, Alexandre D’assumpção, ou The Sumpa, é praticamente inofensivo. Apesar de todas as lendas a seu respeito, ele é apenas um professor Nerd, redator, roteirista de quadrinhos e audiovisual que nos anos 80 pediu carona para uma cabine azul e desde então, tem vivido suas aventuras através do espaço/tempo. Para facilitar a viagem, tornou-se mestre Zen na arte de ter um rosto tão comum que todos sempre o cumprimentam imaginando se tratar de outra pessoa; normalmente ele mesmo. Dono de uma péssima memória, ele nunca se lembra de detalhes importantes como rostos, grupos que passou nem dos inimigos que ameaçam sua vida, o que é péssimo quando ele os encontra em becos escuros. Sua toalha é customizada e ostenta a máscara da Iniciativa Gambate, empresa criada por ele para levar a cultura Pop a todos aqueles que dela precisarem, estejam onde estiverem. De tempos em tempos ele reverte a polaridade de sua chave de fenda sônica e leva algum compannion para passeios transmídia, seja em eventos, festivais ou programas de TV. No caso de um avistamento, principalmente se The Sumpa for a personalidade dominante, espere o inesperado e corra para sobreviver.

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