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A primeira aparição do Justiceiro nos Quadrinhos

Quando o vilão agrada mais que o herói.

A história que deu origem a Frank Castle.

Esta história foi publicada no século passado, então, sim, tem spoiler.

Escrito por nomes como Garth Ennis (Preacher, Hellblazer) e Jason Aaron (Escalpo, Thor), o Justiceiro alcançou o seu ápice nos quadrinhos, com roteiros brutais onde o personagem era retratado como a perfeita e insensível máquina de matar, cuja sanidade se perdeu no Vietnã, muito antes de ver sua família ser assassinada por mafiosos, e cuja única missão seria varrer do planeta todo e qualquer criminoso que cruzasse o seu caminho.

No original, “Punisher”, seu nome é melhor traduzido para o português como o “Punidor” (ele já foi chamado de Vingador por aqui), ao invés do escolhido e mais sonoro “Justiceiro”, algo que faz sentido, uma vez que o propósito do personagem tem muito mais a ver com punição do que propriamente justiça.

Com três encarnações no cinema e sua própria série na Netflix, o Justiceiro tornou-se mundialmente conhecido e alvo de polêmicas, e hoje, falaremos um pouco sobre sua primeira aparição, que aconteceu em Homem-Aranha 129, em fevereiro do distante ano de 1974.

Tratava-se de um personagem muito diferente deste que estamos acostumados a ver, começando pelo fato de não passar de um coadjuvante, criado para caçar o amigo da vizinhança em uma história escrita por Gerry Conway e ilustrada por Ross Andru.

Na época, pouco tempo após a morte de Gwen Stacy (1973), o Homem Aranha estava sendo acusado pela morte de Norman Osborn, e boa parte da população acreditava nisso, graças aos incansáveis ataques de J. Jonah Jameson e seu Clarim Diário, onde ironicamente, todos nós sabemos, Peter Parker trabalhava.

Aproveitando-se disso, o Chacal conseguiu convencer o Justiceiro de que o Homem-Aranha era um criminoso perigoso e por isso precisava ser eliminado. O traje do personagem era inteiramente preto e ostentava sua enorme e icônica caveira branca, que somada às botas e às luvas, lhe conferiam uma estética muito semelhante à de um herói ou vilão tradicional, algo que, no futuro, tanto Ennis quanto Aaron, citados no início deste artigo, em busca de maior realismo, tentaram fugir.

E já que estamos falando em estética, nada do personagem utilizar armas que fossem desenhadas de forma realista, esqueçam os rifles M-16, as AK-47 e as escopetas, digam olá para um assim chamado fuzil de concussão vermelho vivo, e um disparador de fio de liga de titânio verde, ambos parecendo terem saído de uma loja de brinquedos.

Do ponto de vista psicológico, ele segue sendo perturbado, pois ainda sai pela cidade matando criminosos; vemos uma manchete de jornal onde é relatado que ele declarou guerra à máfia, mas nada disso chega a ser minimamente explorado durante a história.

Vamos combinar, é algo compreensível, já que um psicopata que sai por aí matando criminosos com tiros de automática na testa, não seria muito bem-vindo se fosse retratado como de fato é em uma história do Homem-Aranha, que em teoria, era para crianças e adolescentes.

Outra coisa que chama a atenção é a estranha obsessão por matar com honra, chegando a causar uma violenta discussão com o Chacal, pois o Justiceiro se recusava a ser um assassino comum e em suas próprias palavras: “deixar que um homem morra por acidente não vale”.

É sério, o Justiceiro só considerava válido matar o Homem-Aranha se fosse com tiro, deixar que ele, quase desacordado, despencasse de um prédio, seria, por assim dizer, pouco ético.

Em seu roteiro, Conway também parece ter esquecido que o sobrinho da Tia May possui agilidade e força proporcionais a de uma aranha, e que o Justiceiro, embora possua treinamento militar, não é páreo para o aracnídeo. Ele acerta golpes e em mais de um momento é atingido por um soco direto do herói, sem ser colocado fora de combate.

No fim, o Homem-Aranha consegue convencer o Justiceiro de que o Chacal o enganou o tempo todo, e cada um segue para um lado, sem maiores problemas, o que, diga-se de passagem, é bem estranho, já que o Justiceiro estava tentando matar o herói e já vinha fazendo o mesmo com a máfia, o que o torna um fora da lei com atitudes que vão contra tudo o que Peter Parker acredita.

Enfim, era uma época mais ingênua e não dá para se exigir muito de sua primeira aparição; certo é que os encontros futuros entre o justiceiro e os heróis da Marvel terminariam de forma muito diferente.

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