No Século Passado

A Morte do Superman – Parte 4 : O Retorno

Essa história foi publicada no Século Passado, então, tem spoiler.

Após o estrondoso sucesso de “A Morte do Superman”, vendendo milhões de revistas e enchendo seus cofres, a DC Comics precisava trazer o seu maior herói de volta.

Claro que ele retornaria; apesar de alguns ingênuos e incautos terem acreditado na época que o Homem de Aço tinha mesmo passado dessa para melhor, a DC Comics não tinha o hábito de rasgar dinheiro, então, seguindo o planejamento, chegou nas bancas, das mesmas mentes criativas responsáveis pela morte e pelo funeral, a saga “O Retorno do Superman”.

Ao contrário da “Morte”, cuja história se resumiu à uma violenta batalha entre o Apocalipse e o Superman, sem espaço para uma trama mais elaborada, o “Retorno” traz o mistério dos 4 Supermen

Basicamente, após sua morte, quatro indivíduos reclamaram o direito de utilizar o símbolo e o manto do herói, continuando o seu legado.

O Último Filho de Krypton, com aparência idêntica ao do antigo Superman, mas com comportamento extremamente violento, ferindo e até mesmo matando os criminosos que enfrenta.

Superboy, jovem que odeia ser chamado de super menino, e que alega ser um clone do Superman criado pelo projeto Cadmus. Suas ações e palavras refletem a irresponsabilidade e imaturidade típica de muitos adolescentes.

Aço, único que não alega ser o verdadeiro ou clone do verdadeiro Superman. Não possui poderes, porém, por ser um brilhante projetista de armas, cria uma armadura (na garagem de sua casa, acredite se quiser, porque eu não consigo nem montar o lego do meu filho), e passa a combater o tráfico de armas e o crime em sua vizinhança.

Finalmente, o Super Ciborgue, metade máquina, e metade humano (com as feições de Clark Kent).

Dos 3 candidatos a serem o verdadeiro Superman, dispensamos logo de começo o Aço, pelas razões expostas acima, e o Superboy, que afirma ser um clone.

A trama nos leva a descartar o Último Filho de Krypton, por seu comportamento oposto ao do herói supostamente falecido, algo tão extremo, que Guy Gardner, considerado o mais escroto dos Lanternas Verdes (e que na época portava um anel amarelo), aplaudiu suas ações (este fato levou o Último Filho a refletir sobre suas ações, afinal, se Gardner se declara seu fã, é porque você deve estar pisando feio na bola).

O Super Ciborgue surge como forte candidato a ser a reencarnação do falecido Superman. Entre os fatos que corroboram essa possibilidade, está o seu comportamento mais próximo do herói, o fato de ter salvo o presidente dos Estados Unidos de um ataque terrorista e ser reconhecido pela Casa Branca como o verdadeiro Superman (o que, se formos pensar, não quer dizer muita coisa), ter revelado em conversa com Lois Lane, memórias que apenas Clark Kent poderia ter, e em um teste conduzido pelo professor Emil Hamilton, apresentar DNA Kryptoniano.

Em seus primeiros capítulos, “O Retorno” consegue se sustentar com o mistério dos Superman, mas ao avançar e dar contornos gigantescos para sua história, perde força.

A chegada de uma Nave Gigantesca capitaneada por Mongul, que adentra a atmosfera e sobrevoa Coast City, cidade natal do Lanterna Verde Hal Jordan, marca uma sequência de fatos que ocorrem de forma apressada e não obtém o impacto que supostamente deveriam causar.

A nave libera bombas que explodem e obliteram Coast City do mapa, dizimando sua população e matando instantaneamente 7 milhões de pessoas. Um evento de proporções tão catastróficas que deveria atrair a atenção de todos os heróis do planeta, e causar imensa comoção, mas que o roteiro trata de forma banal, esvaziando o drama, e correndo em direção ao renascimento do Superman e à batalha final.

O Super Ciborgue revela ser um traidor, atacando primeiro o Último Filho de Krypton, e depois o Superboy, e derrotando ambos. O poderoso Mongul o trata como mestre, e o objetivo de ambos é a destruição do planeta Terra como vingança contra o Homem de Aço (que teoricamente já estava morto, e não ia ver patavinas, mas tudo bem).

O Ciborgue já havia aparecido em uma história antiga do Superman, seu nome era Hank Henkshaw, um astronauta, cuja nave foi bombardeada por radiação e os tripulantes ganharam superpoderes (em uma espécie de homenagem ao Quarteto Fantástico). Ao contrário do quarteto da Marvel, a radiação acabou matando a todos (incluindo sua esposa), com exceção de Henkshaw, que ganhou a habilidade de se fundir com máquinas e perdeu completamente o juízo.

Voltando para a história, na Fortaleza da Solidão, abandonando uma matriz energética, vemos um homem vestido de preto e com o símbolo do Superman. Ele fica sabendo através dos monitores tudo o que aconteceu durante o tempo em que esteve em animação suspensa.

Ele “rouba” uma armadura de combate Kryptoniana e parte em direção à Metrópolis.

Descobrimos que se trata do verdadeiro Superman; seu corpo foi levado para a Fortaleza da Solidão pelo Último Filho de Krypton, que na realidade era o artefato Kryptoniano conhecido como Erradicador, e que assumiu a forma humana após a morte do Superman. Ele utilizava o corpo do herói para recarregar suas energias e permanecer com sua aparência.

A Matriz de Regeneração, no entanto, trouxe o Superman de volta à vida.

Ele agora quer partir em direção à Coast City para enfrentar Mongul e o Super Ciborgue, o que ele faz ao lado de Aço, Superboy e, posteriormente, Supergirl e o Último Filho de Krypton (Erradicador).

Parece tudo meio apressado, não é mesmo?

E foi, com a missão de trazer o Superman de volta e com prazo estipulado, os roteiristas, desenvolveram pouco os personagens e suas motivações.

No confronto final, com o auxílio do Erradicador, o Super-Homem derrota o Super Ciborgue e recupera os seus poderes (ele havia perdido quase todos).

Na última página ele aparece voando, sorrindo, em um céu ensolarado e com pensamentos felizes sobre seu retorno à vida, apesar de 7 milhões de pessoas terem morrido logo ali atrás.

A saga “O Retorno” não consegue alcançar o mesmo tom dramático da “Morte” ou do “Funeral”, e o mistério dos 4 Supermen não dura o suficiente para cativar o leitor.

Entre a Morte, o Funeral e o Retorno, na soma de todos os fatores envolvidos na criação de uma história, o Retorno acaba sendo o elo mais fraco, ainda que o Homem de Aço, assim como o próprio título já adiantava, tenha voltado dos mortos.

Fernando Fontana

Fernando Fontana é escritor e adulto amador, criador do Site Super Ninguém e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos.Tá sabendo da novidade? Somos parceiros da Amazon. Vai comprar na Amazon? Utilize o código: canalmetali06-20! e dê uma força para o canal.

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