Quer mais este assunto nerd? Nos visite diariamente.

A Morte de Barry Allen

Quando o Flash se sacrificou pelo bem maior

Barry Allen , o Flash da Era de Prata, marcou o começo e o fim de sua era.

Ok, hoje em dia, todos estamos mais do que escolados quando se trata de morte de super-heróis; sabemos que a morte não tem o mesmo significado na vida real e nos quadrinhos.

Na vida real a morte é um ponto final, nos quadrinhos, costuma ser uma vírgula.

Você vê uma capa com o título “A Morte de Alfred” e seu alerta de caça-níqueis já dispara, a única questão é: Quando vão trazer o mordomo de volta?

Convenhamos, se até o Robin voltou, qualquer personagem volta.

Agora, nem sempre foi assim, já fomos mais ingênuos, e em novembro de 1985, quando foi lançada a edição número 08 de “Crise Nas Infinitas Terras”, os leitores ficaram chocados com a morte de Barry Allen, o Flash, um dos personagens mais conhecidos do universo da DC Comics.

A saga que tinha como objetivo organizar a bagunça que era o multiverso da DC Comics com seus múltiplos mundos, já havia dado mostras de que personagens importantes não estavam a salvo.

Uma tragédia anunciada.

Em Crise nas Infinitas Terras nº 7, na história “Muito Além da Noite Silenciosa” a Super Moça se sacrificou na luta contra o Antimonitor para salvar seu primo, o Super-Homem. Na última página o Kryptoniano carrega o corpo da heroína, envolto em uma capa vermelha, para o espaço.

Uma cena tão forte não era comum nos quadrinhos, e se os leitores imaginaram que Marv Wolfman e George Perez parariam por aí, estavam enganados.

Durante as primeiras edições de “Crise Nas Infinitas Terras”, ocorreram aparições fantasmagóricas do Flash, em que ele dizia estar diante do fim do mundo e pedia socorro, pouco antes de se desintegrar diante dos olhos de heróis atônitos.

Algo de muito errado estava acontecendo no futuro e o Flash parecia tentar avisar.

Capturado pelo Antimonitor e aprisionado em uma espécie de gel de contenção, o Flash tornou-se vítima do Pirata Psíquico, que o torturava manipulando suas emoções ao seu bel prazer.

O vilão, derrotado e quase destruído no confronto com a Super Moça, decide utilizar sua arma mais mortal, um canhão de antimatéria, cuja construção está em andamento e está prestes a ser concluída, fato desconhecido por todos os heróis, com exceção do Flash, que observava impotente, ou, pelo menos assim parecia.

A morte do Flash.

Se é para um herói morrer, que seja de forma épica, assim o foi com a Super Moça, não seria diferente com o Flash.

O velocista, sabendo que apenas ele estava entre o Antimonitor e a completa destruição do universo, resiste ao poder do Pirata Psíquico, reúne todas as suas forças, vibra em grande velocidade e consegue escapar do gel de contenção.

Adentrando as entranhas do canhão e correndo o mais rápido que pode, indo na direção oposta ao fluxo de antimatéria, sua intenção é desmantelar a máquina, mesmo sabendo que o resultado será a sua morte.

Ele obtém sucesso e é desintegrado no processo.

Pela segunda vez, o Antimonitor tem seus planos frustrados por um dos heróis da Terra.

Wolfman tinha uma lista de personagens que deveriam morrer durante a saga, Super Moça era a primeira da lista porque na reformulação do Homem de Aço, a DC o queria como o último sobrevivente de Krypton, mas com o Flash foi diferente, e ele relutou em mata-lo por enxerga-lo como o herói que abriu a Era de Prata dos Quadrinhos.

A passagem do bastão.

No fim, Wolfman aceitou que teria que faze-lo, mas a morte do herói escarlate guarda uma diferença importante para a da Super Moça. Ambas são dramáticas e épicas, mas ele morre sozinho, ninguém, além do Vilão e dos seus asseclas, a presencia.

Além disso, se Barry Allen morreu, seu legado não; na última edição, Wally West, conhecido como Kid Flash, pupilo de Barry, ao saber da morte de seu mentor, assume o nome e o manto do Flash.

Barry, é claro, voltaria à vida, mas isso ainda demoraria e não é assunto para esta coluna.

Wolfman e Perez criaram uma história que cumpriu seu objetivo, reorganizou o multiverso DC (posteriormente bagunçado novamente, mas não é culpa deles), causou grande impacto, ainda mais com a morte de personagens tão queridos, e até hoje é assunto, incluindo uma, até bem pouco tempo, impensável adaptação para o Arrowverse, o universo compartilhado pelas séries da DC Comics, contanto, é claro, com a importante presença do Flash.

E não deixe de voltar na segunda-feira para um Lembra disso especial sobre o Julgamento do Flash, saga cujos elementos começam a aparecer no número 275 e seguem até o 350 da série do personagem. A saga foi a última aventura pré-crise do Flash, que além de  explicar o motivo de ele estar no século XXX no começo da Crise, também revela o quanto a decisão de Wally West assumir o manto do Flash foi guiada mais  pela culpa do que pela necessidade de honrar o legado de seu tio.

você pode gostar também