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A Hora do Espanto (1985)

Uma mistura de Janela Indiscreta, filmes trash e vampiros cria um clássico que assusta bem menos do que diverte.

O Canal Metalinguagem relembra a Espantomania.

Vampiros são seres malignos, mortos-vivos sedentos por sangue que perderam a alma e já não podem mais encarar a luz do Sol, em troca, as trevas concedem poderes muito além dos meros mortais, força e velocidade sobrenatural, garras e presas afiadas, capacidade de se transformar em lobo ou morcego, além de serem incrivelmente sedutores.

Em 1985, o diretor Tom Holland (não, não é o ator que faz o Homem-Aranha, na época ele nem era nascido), decide colocar uma destes monstros lendários contra Charley Brewster (William Ragsdale), um típico adolescente com o quarto bagunçado e os hormônios à flor da pele.

Bem, não tão típico assim, porque com a namorada finalmente aceitando ir para a cama com ele, ainda assim o jovem decide prestar atenção no que está se passando na casa do vizinho.

No melhor estilo “Janela Indiscreta” de Alfred Hitchcock, Brewster descobre que seu mais novo vizinho Jerry Dandridge (Chris Sarandon) é um vampiro, e que está assassinando vítimas inocentes.

De forma bastante ingênua ele tenta convencer sua mãe e até mesmo a polícia de que Dandridge é um vampiro, e previsivelmente ninguém acredita no que ele está dizendo. Para piorar, Dandridge percebe que o jovem está tentando a todo custo convencer as pessoas de sua natureza demoníaca e decide acabar com o problema.

Pronto, temos a trama de um clássico dos anos 80, que não esconde a parte da sua inspiração que vem dos filmes trash. Aliás, deixa claro através do programa que Brewster assiste quase todas as noites e que dá nome ao longa, “A Hora do Espanto”, apresentado por Peter Vincent (Roddy McDowall).

Vincent é um ator decadente que apresenta uma sessão de filmes de terror semelhante ao “Cine Trash”, que por aqui era apresentado pelo Zé do Caixão, interpretado pelo saudoso José Mojica Marins, no entanto, em suas próprias palavras, a juventude não está mais interessada em vampiros ou matadores de vampiros, só querem saber de maníacos assassinos vestindo máscaras e matando jovens virgens, em uma alusão aos famosos Slasher Movies dos anos 80, como Sexta-Feira 13 e Jason Vorhees ou Halloween e Michael Myers.

Além do baixo orçamento, parte da essência dos filmes trash é justamente não se levar a sério, o que justifica o fato do protagonista deste longa não conseguir compreender a diferença entre ator e personagem, procurando pela ajuda de Vincent para lidar com seu vizinho vampiro.

E se no princípio, o ator acredita estar diante da imaginação de um jovem fã de filmes de terror, posteriormente, após descobrir que se trata realmente de um vampiro, ainda que aterrorizado, ele aceita a incumbência de destruí-lo.

Para um filme com baixo orçamento (cerca de 9 milhões de dólares), os efeitos especiais não decepcionam, e o diretor investe nos exageros típicos dos antigos longas de terror; uma rua sem alma vida e sombria, o vento que traz o mau agouro, e a névoa que brota em quantidades absurdas da casa do vampiro.

Sarandon interpreta seu vampiro de forma igualmente exagerada, vide a forma como ele grita para Vincent que é preciso ter fé para que um crucifixo funcione.

Se você assiste “A Hora do Espanto” acreditando estar diante de uma história de terror, disposto a se assustar, vai se desapontar, o humor presente em toda a obra funciona como um antídoto eficaz contra o medo; aterrorizar definitivamente não é o propósito do diretor.

Já como uma aventura que coloca adolescentes e um ator fracassado contra um vampiro e seu serviçal, e que homenageia o trash, é um prato cheio, onde tudo se encaixa perfeitamente.

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